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A decad�ncia do Carnaval de sal�o

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Em Maceió, até a década de 80, a programação carnavalesca dos clubes sociais frequentados por foliões abastados e da classe média demonstrava a pujança do Carnaval de salão, com a realização de grandes bailes, desde o sábado de Zé Pereira até terça-feira, contando ainda com as matinais e vesperais para as crianças e adolescentes filhos dos associados. O Clube Fênix Alagoana, Iate Clube Pajuçara, Jaraguá Tênis Clube, Clube Português de Alagoas (a Portuguesa) e o Alagoas Iate Clube (o Alagoinha), considerados os mais elitizados, além do CRB, AABB e o Clube dos Oficiais da Polícia Militar, ofereciam festas memoráveis, o que também acontecia nos mais populares: SESC, Sesi, Centro Recreativo Aliança Familiar, Aliados da Pitanguinha, Sociedade dos Amigos do Vergel do Lago (Savel) e o Clube 29 de Junho. A maior parte dessas agremiações promovia os chamados ?gritos de Carnaval?, bailes geralmente realizados nos quatro fins de semana antes do Carnaval oficial. Os preparativos também incluíam a inauguração da decoração, ansiosamente esperada pelos sócios e pelos cronistas especializados, que todos os anos patrocinavam um concurso para premiar o clube que mostrasse a decoração mais bonita. Durante o reinado de Momo, mesmo que tivessem de enfrentar extensas filas para ter acesso aos clubes, os foliões eram estimulados pelas boas orquestras contratadas, que conseguiam lotar os salões, apresentando um repertório de excelentes frevos, marchas e sambas, ritmos típicos do nosso Carnaval. Com a descentralização do Carnaval de rua na capital e o crescimento da folia no Litoral Norte e no Litoral Sul do Estado, notadamente, em Paripueira e Barra de São Miguel, bem como, com o desenvolvimento do Carnaval de Salvador, para onde muitos foliões alagoanos vão atrás dos trios elétricos e no embalo da axé music, as festas de salão foram prejudicadas, pois os bailes carnavalescos contribuíam significativamente para a sobrevivência dos clubes sociais de Maceió, hoje decadentes, com suas atividades muito reduzidas ou praticamente inativos, e alguns já extintos, a exemplo do Alagoinha (um dos mais belos cartões-postais da cidade) e da tradicional Portuguesa, desapropriados sob protestos, porque o processo de desapropriação não contemplou os associados que, no caso do Clube Português, só souberam que haviam perdido o clube por intermédio da mídia. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.

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