Opinião
Folia pr�-carnavalesca
Reafirmando uma característica maceioense sobejamente conhecida, os festejos carnavalescos, na capital alagoana, alcançam seu ápice neste fim de semana. Não é uma marca nova, essa. Desde os tempos onde o banho de mar à fantasia concentrava a empolgação popular em Maceió que o pré-carnaval antecipa o auge do fervor de Momo em praticamente uma semana. Naturalmente, essa precocidade foliã desperta críticas mormente malendereçadas aos ?poderes públicos? recorrentemente acusados de ?abandonarem? o carnaval em seus dias próprios. Essa crítica pode ser considerada parcialmente procedente, pois, até pela constatação de que ?as massas? e/ou ?as elites? tendem a esvaziar o tríduo momesco oficial, esse período compreendido entre o Sábado de Zé Pereira e a Terça-Feira Gorda (inclusos esses dois dias, lógico) mereceria dos ditos poderes públicos uma atenção especial voltada para preencher esse vácuo. Mas é errado creditar às autoridades (prefeituras e governo do Estado) e às ?elites? o arrefecimento do ímpeto carnavalesco nos dias oficiais dos festejos. É inegavelmente longa a tradição centrífuga alagoana e maceioense nesse período, o que ancestralmente podia ser explicado pela força de atração do polo frevístico de Recife/Olinda e, mais recentemente (coisa de três décadas), pelo poder do polo soteropolitano e seu axé; isto naturalmente sem contar com o polo do samba carioca (esse sim, pela distância, uma opção mais elitista). Resumindo, historicamente pressionado por vizinhos carnavalesticamente poderosos, Alagoas sempre perdeu público no carnaval propriamente dito. Em tal cenário, duas ações se fazem indispensáveis: organizar o pré-carnaval, aproveitando-lhe todo o potencial; e, ao mesmo tempo, turbinar o carnaval com uma programação anabolizada, garantindo duas semanas de alegria, festa e geração de renda.