Opinião
Aula de burocracia
Num Estado marcado pela ferida aberta do analfabetismo crônico e por renitentes problemas com a educação básica, chama ainda mais a atenção o drama de 90 alagoanos que, depois de muito sacrifício, concluírem tardiamente seus estudos, serem surpreendidos com a cassação de seus certificados escolares em função, exclusivamente, de problemas burocráticos. Assim é o relato angustiado de 90 alagoanos chocados com a perspectiva de desperdício do tempo e esforço investido num curso do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), realizado no município de Major Izidoro, ainda no ano de 2008. Explicações têm sido dadas, mas nenhuma solução prática foi apresentada até agora. Infelizmente, parece prevalecer a tendência deformante de privilegiar-se a busca de culpados em detrimento do socorro às vítimas. Em havendo culpados, que esses respondam por suas responsabilidades conforme o disposto na legislação vigente. Mas e aos prejudicados, o que deve ser feito para repor-lhes o que de direito? Se eles estudaram, fizeram suas provas ? um desses estudantes, inclusive, chegou a ser aprovado em concurso vestibular ?, por que não priorizar, com a urgência necessária, uma solução para a legalização efetiva do curso concluído? Aos leigos de boa vontade, parece simples a solução de aplicar novas provas e conferir os resultados das aulas ministradas (mesmo que de forma irregular, há dois anos). Com a reavaliação desses alunos, naturalmente considerando-se o tempo decorrido entre as aulas ministradas e as novas provas a aplicar, por que não conferir a essas pessoas o status real que obtiveram, depois de tanta luta? O postergamento, por anos, de uma solução prática é uma prova da predominância da burocracia sobre a sabedoria. E, infelizmente, quase uma centena de alagoanos, injustamente, continua a engrossar o cordão dos excluídos.