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Opinião

O Pinto da Madrugada completou 10 anos

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Estamos nos preparativos para o carnaval. Nos anos 50 e 60, Maceió era uma cidade onde todos se conheciam. E nos dias desta festa de alegria, havia um animado corso, onde uma verdadeira batalha de confetes e serpentinas era travada nas ruas do comércio, e o uso do lança-perfume servindo como início de muitos namoros. Os clubes sociais eram lotados e as matinês da Fenix e do Iate eram disputadíssimas. Soltando minha memória revejo a animação do Baile de Máscaras, também na Fenix, com belas fantasias e prêmios valiosos para os vencedores. Fecho os olhos e vejo desfilar as cenas que emolduraram a minha vida de jovem estudante do Colégio Guido e depois como aluno da Faculdade de Medicina. As belas músicas com letras românticas, marchinhas e sambas que falavam de amor, de saudade, de tristeza ao deixar o carnaval. Ficaram inesquecíveis também os grandes foliões daquela época desfilando com pitorescas mensagens, Fusco, Alipão, Rubens Canuto, Zé Simões, Seton, Bráulio Leite e tantos outros. As orquestras distribuídas pela Rua do Comércio até a Praça dos Martírios, davam o toque da animação em clima de fraternidade. Não havia violência nem drogas. Todos brincavam e se respeitavam cada qual vivendo com alegria o seu carnaval. Já se foram cinquenta anos daqueles momentos felizes. Como as águas da fonte, foram correndo, correndo e não voltarão jamais. Pois bem, meu caríssimo colega e amigo Marcos Davi, companheiro de Academia Alagoana de Medicina e notável oncologista da Santa Casa de Misericórdia, com sua grande sensibilidade, resolveu mostrar às novas gerações e fazer recordar a turma do passado os carnavais antigos de Maceió. Essa ideia lhe surgiu há 12 anos e então convocou mais três amigos Marcial Lima, Eduardo Lira e Braga Lira e, com o incentivo do nosso inesquecível Edécio Lopes, trabalhou e conseguiu realizar o seu sonho colocando na rua o Pinto da Madrugada há 10 anos. Seria uma pequena demonstração do Galo da Madrugada do Recife. O sucesso foi total e cada ano o bloco sai melhor, com mais gente e mais animação. E o Pinto da Madrugada quer ver você recordar o passado grandioso e dizer como o saudoso poeta Jaime de Altavilla: ?Amo a vida, amo o sonho, amo a luz. Que dos meus sentidos inspiraram. Trago no coração a suprema alegria, a suprema ternura. Que nunca me falte a alegria de causar todas as coisas belas deste mundo?. Saudade rima com felicidade e eternidade. As mesmas cenas e músicas hoje são completamente diferentes, muitas letras sem sentido, o axé, a violência, o sexo enlouquecido, as drogas em profusão, tudo fazendo desaparecer a beleza e a pureza dos caminhos do passado, que deram tanta felicidade aos que hoje tentam recordar esses momentos na passagem do Pinto da Madrugada. (*) É médico ([email protected]).

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