Opinião
�gua para o Agreste!
Dez cidades são atendidas pelo sistema adutor do Agreste, que capta água no Rio São Francisco, em São Brás. São quase 60km de distância percorridos por adutoras que foram construídas nas décadas de 70 e 90, atendendo hoje a quase 200.000 habitantes. Mesmo sendo a metrópole do Agreste, Arapiraca sofre há tempos com a falta de água. Na década de 60, não havia praticamente água encanada na cidade e as cacimbas de fundo de quintal forneciam o precioso líquido, normalmente contaminado. O progresso foi chegando, a cidade crescendo e a primeira adutora do Agreste vinda do São Francisco trouxe esperança. A água era em pouco tempo insuficiente. Arapiraca continuava crescendo e na década de 90 veio a duplicação da adutora do Agreste. Apesar de tudo que se fez ao longo dos últimos anos, a cidade continua sofrendo com falta de água, em parte porque é necessário aumentar a produção, em parte porque ainda há graves deficiências gerenciais na gestão dos serviços, oriundas de um passado de interferências políticas na gestão e da falta de planejamento do Estado para se capacitar e viabilizar a solução para a falta de água em Arapiraca e em todos os municípios atendidos pelas adutoras do Agreste. Com a vinda da Mineração Vale Verde (MVV) para a região, surgiu uma demanda concentrada que supera a capacidade instalada do sistema existente. Graças à visão empresarial do governo do Estado e ao interesse das prefeituras, capitaneadas pela liderança de Arapiraca, está se buscando uma solução que colocará Alagoas como pioneiro no Nordeste na implantação de uma PPP (Parceria Público-Privada) para sistemas de abastecimento de água. Assim, a Casal, órgão gestor dos serviços de saneamento, contratou projetos que levaram à elaboração da PPP para implantação de nova adutora e nova estação de tratamento de água, levando mais 1.000m³/hora só para a cidade de Arapiraca e 500m³/h para a MVV, recuperando e modernizando o sistema existente para que se atenda às outras cidades com mais água, em decorrência de obras e da eficiência operacional que o sistema, como um todo, terá. Arapiraca demonstra hoje que sabe associar desenvolvimento sustentável com saúde pública e proteção ao meio ambiente, sendo importante registrar que a PPP é a forma mais rápida e viável, em todos os sentidos, de se ter definitivamente resolvida a falta de água na cidade e na região. Este tipo de parceria e o modelo proposto para o novo sistema do Agreste não implicarão em aumento de tarifas ou demissão de empregados, mantendo a Casal como gestora da distribuição de água. A previsão é que as obras se iniciem em junho de 2010, e em dezembro de 2011 os moradores da cidade de Arapiraca e das outras nove, que hoje sofrem racionamentos, poderão dizer, enfim, que acabou a falta de água. (*) É engenheiro civil e diretor Nordeste da Abes.