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Amsterd�

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O trem expresso que nos levará a Amsterdã, está parado na plataforma. Mal nos acomodamos no vagão que a companhia reservou para nós, ouvimos um longo apito e todo o comboio se põe em movimento. Cada cabine comporta seis pessoas, mas como sobram lugares, viajamos somente quatro e assim temos bastante espaço para nos espalharmos e acomodar nossa bagagem, que cresce assustadoramente, de cidade para cidade. O guia ofereceu a toda a caravana, saquinhos contendo: sanduíches, biscoitos, ovos cozidos, frutas, vinho e água mineral. Desse modo não teremos problemas com a alimentação, já que este trem não possui carro restaurante. Aliás, raros são os que o têm aqui na Europa. Geralmente só servem bebidas e sanduíches. Os companheiros começaram as brincadeiras. Um deles se distrai em fotografar os que estão dormindo nas posições mais cômicas. Uma jovem, habitualmente séria, comprou uma caixa de bombons falsos, feitos de plástico duro, e anda a oferecê-los, divertindo-se em ver a fisionomia engraçada que fazem suas vítimas ao tentar mastigá-los. Outra companheira transformou sua cabine num consultório de cartomancia e, sentada de pernas cruzadas sobre a poltrona, à moda de Buda, com ares de oráculo, vai desvendando, através das cartas de jogar e de desenhos feitos pelos clientes, o passado, o presente e o futuro de cada um. Sua reputação cresce tanto, com os primeiros fregueses, que em breve quase todo o grupo se amontoa em torno dela, cada qual mais ansioso por sua vez de consultá-la. De vez em quando desligo minha atenção da cartomante para olhar o panorama, através do vidro da janela. Vejo enormes campos completamente planos, ora cobertos de verdejantes pastagens, ora dourados pelos trigais maduros. Perdidas nesses imensos prados vemos pitorescas casinhas de camponeses, as torres pontiagudas de uma Igreja e, quase sempre, a chaminé fumegante de uma fábrica. O trem vai a 250 km por hora. As paisagens passam tão rápidas que me causam tontura. Aos poucos o comboio diminui a velocidade até que, num ranger de freios, para numa estação, onde entram três homens fardados que vão de vagão em vagão, pedindo os passaportes. Chegamos à fronteira da Holanda. Em vinte minutos estamos novamente em marcha. Os campos continuam, mas o estilo das casas muda. São agora cobertas de uma palha muito fina. Começam a aparecer os canais que drenam o solo úmido deste país. O guia vem nos avisar que desceremos na próxima parada, quando passaremos para outro trem. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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