Opinião
Mercantilismo religioso na cibern�tica mundial
Com a reforma religiosa manifestada e propagada por Martinho Lutero, monge Agostiniano cujos estudos eclesiásticos foram financiados pela viúva Úrsula Cota, o Ocidente e Oriente passaram a conhecer e viver novas experiências com interpretações dadas pelos filósofos e teólogos da época. O grito de liberdade do jovem sacerdote serviu como um alerta para o cristianismo, visto que os conhecimentos das Sagradas Escrituras eram restritos apenas à Santa Sé e aos teólogos da Igreja Católica Apostólica Romana. A bíblia não deveria ser lida por leigos, pois causaria transtornos nas interpretações dadas aos textos bíblicos, segundo teólogos da Igreja Romana. Os séculos passaram-se, deixando no tempo e no espaço as causas e consequências desse marco histórico e religioso que ainda hoje é estudado nos estabelecimentos do ensino médio e nas universidades pertinentes ao assunto e por todos seus adeptos. Existe atualmente, no Brasil e nas demais partes da terra, uma verdadeira proliferação de igrejas evangélicas e outras rotuladas com tal terminologia. Cada uma interpreta a Bíblia à luz do seu entendimento, distanciando-se deste modo da essência primordial apregoada por Lutero. Existem seguidores dessa cisão religiosa que honram e enobrecem os conhecimentos teológicos e religiosos legados pelo Monge da Ordem Religiosa de Santo Agostinho. Nos nossos dias, particularmente no nosso País, assistimos instalações de novas igrejas com diversas denominações. Acontece que, muitas das vezes em bairros das capitais e cidades brasileiras o número de igrejas é maior do que as casas comerciais ali existentes. É um verdadeiro comércio. Os efeitos psicológicos e o poder de persuasão tomam conta do caráter das pessoas que frequentam os templos religiosos. Os prédios onde funcionam os templos não têm as mínimas estruturas físicas para abrigar grande número de irmãos e irmãs. Há denominação evangélica que apresenta curas e milagres como aconteciam no tempo de Jesus Cristo. Crer ou não crer. É questão de fé. É óbvio que o sentimentalismo religioso é necessário existir no ser humano, porém de uma maneira racional e equilibrada. Se Martinho Lutero vivesse nos dias atuais, certamente ficaria decepcionado, pois encontraria, salvo muitas exceções, igrejas recheadas de mercantilismo e jamais espírito de religiosidade. Pobre Martinho Lutero! Sofreria com certeza infarto fulminante pela grande decepção constatada entre os defensores e seguidores da sua corajosa e histórica Reforma Religiosa. Deus apiede-se dessa gente que tira proveito da boa fé e intenção das pessoas simples e sedentas de religião. (*) É advogado e membro da Associação Alagoana de Imprensa ([email protected]).