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Opinião

A sociedade somos n�s

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Todos estamos cansados de saber da existência de irmãos nossos, menos privilegiados, mais despossuídos, que passam por toda a sorte de necessidades em uma sociedade ainda tão injusta. São as crianças sem a garantia de escola, o que deveria ser obrigação de estado e municípios; é a velhice desamparada e sem abrigo; são os jovens desempregados e sem perspectiva de um futuro melhor que os livre da tentação que vem do mundo do crime. Em nosso estado, então, tal situação tem chegado às raias do absurdo, com mães passando dias e noites em filas em busca de matrícula para os filhos, o que nem sempre conseguem, e mesmo quando tem sucesso se deparam com a falta crônica de professores, o que torna o ensino ainda mais deficiente; é o amontoamento de gente pelos corredores dos hospitais; e fala-se até de verbas federais que são devolvidas por falta de projetos para a sua correta utilização. Nós, como sociedade, somos, com certeza, os únicos culpados por tal estado de coisas. Culpados na medida em que as aceitamos como naturais ou como se não tivéssemos nada a ver com isso; culpados na medida em que nos omitimos em colaborar com iniciativas de pessoas ou entidades mais altruístas, que acham que não se pode ficar esperando apenas pelos governos e põem a mão na massa, dando sua contribuição para a redução dessas mazelas. Sabemos que existem muitos que agem com indiferença diante desses problemas e de outros que jogam em cima dos governantes uma responsabilidade que deveria ser de todos, inclusive a partir de uma escolha mais consciente desses nossos representantes, quer nos governos, quer nos parlamentos, esses, principalmente, tão repletos de larápios ou coisa ainda pior! Podemos ver, no entanto, uma luz no fim do túnel: já temos, em nossa cidade e em nosso estado, entidades as mais diversas que cuidam de crianças, de velhos e até de animais abandonados. Vamos, então, sair do nosso indiferentismo e colaborar com quem se dispõe a ceder um pouco de seu tempo e de seu trabalho pelo simples prazer de ajudar ao próximo. E lembrar que, quando damos um voto nosso a quem quer que seja, somos corresponsáveis por tudo de bom ou ruim que possa vir daqueles a quem elegemos. Em 2010, então, muito juízo! (*) É escritora.

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