Opinião
Amea�a ao povo
Não resta dúvida que os servidores policiais precisam ser melhor remunerados e ter condições de trabalho mais adequadas à missão que desempenham. Mas daí a ameaçar a sociedade com uma greve em pleno período de carnaval é uma estupidez e uma provocação à cidadania. Quem será prejudicado com uma paralisação da atividade policial durante o período do ano onde são muito maiores os riscos de ocorrências violentas e de todo tipo de contravenção? Tal interrupção do trabalho não incomodará as autoridades do governo estadual, muitas dessas altas personalidades, inclusive, estarão fora do Estado para curtir a folia alhures. O único e grande prejudicado é o povo, e especialmente punida será a parcela menos favorecida do ponto de vista econômico e social. Esse tipo de ameaça grevista é um suicídio moral dos propositores, pois, ao contrário de chamarem a atenção para o que seriam seus parcos salários, despertam na opinião pública que não merecem nem os tostões que dizem perceber como proventos. Ora, é digno de bom salário quem ameaça deixar na mão, nos momentos mais necessários, as pessoas (inocentes e desprotegidas) que lhes pagam? A população que paga uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, não pode ser penalizada, e, muito menos, usada como refém numa guerra entre sindicalistas e governo. Que o governo seja pressionado, que os policiais e demais servidores tenham melhores salários e condições mais adequadas de trabalho; que os sindicatos organizem e façam suas greves, seus protestos, com responsabilidade cidadã, de forma a não prejudicar (ainda mais) população. Que não seja utilizado como instrumento válido na luta sindical o estímulo ao crime. Afinal, a quem serve uma greve da polícia em pleno carnaval? Resta a esperança que tal ameaça não tenha passado de um trote de péssimo gosto.