loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Entre a fic��o e a realidade

Ouvir
Compartilhar

É difícil não assistir ao filme Avatar depois de ouvir tantas descrições a seu respeito. A beleza cênica, o deslumbramento visual e a narrativa cativante, por si sós, justificam o interesse em torno da produção de Hollywood. Independentemente de ser recordista mundial de bilheteria ou de ser forte candidato ao Oscar, chama a atenção pelas mensagens e reflexões sobre contradições do nosso tempo. São preocupações dos que estudam as sociedades modernas e suas formas de produzir riquezas a todo custo. Além, claro, de ter buscado uma grande sintonia com os conhecimentos científicos de ponta. É possível identificar na problemática do filme graves situações da modernidade: capacidade da tecnologia de interferir no meio natural, em contradição com sua pouca capacidade de prever os danos dessa mesma interferência, causando os problemas ambientais que ameaçam a própria vida no planeta. Diferentemente do perfil de numerosos seres humanos, indiferentes ou omissos à sorte do planeta terra, os alienígenas de Pandora (do mundo utópico imaginado), além de evoluídos, apresentam consciência ambiental invejável, numa relação sagrada com a natureza. Os humanos invasores desejam, a qualquer custo, riquezas minerais ali existentes, mesmo que isso signifique a destruição da rica flora e fauna. A árvore da vida é um dos exemplos que devem ser citados, podendo ser considerada a mais bela criação de um ambiente natural, em um planeta distante. Plantas, criaturas, ecossistemas, parecem reais em seus harmoniosos movimentos. Os alienígenas comportam-se como parte de um todo do meio em que vivem e do qual dependem para sobreviver. Posicionam-se como parte dele, integrado e afim, ao invés de se considerarem donos dele. Lembrei-me da afirmação do escritor Morin: ?O todo sem a parte não é todo; a parte sem o todo não é parte; mas se a parte faz o todo, sendo parte; não se diga que é parte, sendo todo?. Fazemos, portanto, parte do todo e das partes. Assistir ao filme é bom; refletir sobre o tema ecológico é ainda melhor. Provoca um encontro com os sentidos das indagações da humanidade. Pensar naquilo que está sendo aprendido, como um conhecimento universal que não pertence a ninguém e que, portanto, é de todos: é uma prática estética que traduz esse conhecimento situando-o na sua relação com a formação humana, ampliada para as questões sociais, provocando, dessa maneira, novos olhares que poderão construir ? por meio da natureza ? uma humanidade com mais humanismo. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

Relacionadas