Opinião
Carnavais do passado
Do latim carnevale. Carnaval são os dias considerados próximos e anteriores à Quaresma, e principalmente os três dias antes da Quarta-feira de Cinzas. Folia, mascarados, orgias, folguedos. Parece a folia hoje chegar mais cedo, vez que o Sábado de Zé Pereira, face ao apelo de Momo, já surge com seus ensaios, desfiles e prévias, com um mês de antecedência, levando às ruas milhares de pessoas nos carnavais do País, merecendo destaque, Recife, Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Maceió. Diz a história que em toda a antiguidade os diferentes povos instituiram festas alegres. Assim, entre os egípcios, encontram-se as festas de Isis e do Boi Apis; entre os hebreus, a festa das sortes, entre os gregos, as bacanais; em Roma, as lupercais, as saturnais, etc. Historiadores dizem que o carnaval apareceu no Brasil em 1846, através de manifestações, como o entrudo, uma mistura de polvilho, farinha de trigo e água e o conhecido ?Zé Pereira?; em seguida, em 1865, veio o tradicional carnaval de rua com vistosos préstitos alegóricos do Rio de Janeiro. Sabe-se que o frevo, uma modalidade pernambucana de marcha, usada pela massa popular no reinado de momo no Recife, surgiu em 1909, outros dizem em 1911. Sua coreografia é o passo e nela os dançarinos fazem maravilhas arrojadas e de movimento elástico. Em Maceió tivemos um grande exemplo, o famoso passista ?Moleque Namorador?, cujo nome foi lembrado pelo então e saudoso Prefeito da Capital, Sandoval Caju, numa praça do populoso bairro de Ponta Grossa, espécie de quartel general do frevo em Alagoas. Tivemos vários tipos populares do carnaval de rua da nossa capital, dentre os quais poderemos citar, além do ?Moleque Namorador?, o ?Major Bonifácio?, o homem festeiro de Bebedouro; o ?Ras Gonguila e o Cavaleiro dos Montes?, grande organizador dos carnavais maceioenses; o poeta Manoel Cícero do Nascimento, seresteiro e cantor, músico e poeta popular; o grande Roberto Becker, poeta, cantor e compositor, retratando Maceió, as coisas de sua terra; Pedro Tarzan, figura marcante do carnaval de outrora. Mergulhando um pouco no passado do frevo pernambucano, cuja música se celebrizou, convém que se saliente o ?Toureiros de Santo Antônio? e o famoso ?Vassorinhas?. A respeito desses dois tradicionais clubes de Recife, dizem que os seus êmulos alagoanos foram ?Vassorinhas? e ?Morcegos?, e posteriormente tivemos Pás Douradas, Vou Botar Fora, Cara Dura, Cavaleiros dos Montes, Tromba D?água e, ainda hoje, o Vulcão, o Sai da Frente, com mais de meio século de existência, comandado pelo conhecido maestro ?Manezinho?, menção especial, com louvor, seja registrado a criação do já famoso nacionalmente o bloco ?Pinto da Madrugada?, com 10 anos de existência e sucesso absoluto. Sem o elemento humano não pode haver história. (*) É procurador de Estado, aposentado, e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.