Opinião
E viva o Z� Pereira!
Enfim começa oficialmente o carnaval. Em Maceió, este início se dá uma semana depois de ter acontecido o ápice da folia, mas, aqui e em todo Brasil, este é o Sábado de Zé Pereira ? o ponto de partida para o reinado de Momo. Não se sabe ao certo a origem do Zé Pereira, embora a fama recaia sobre lusitanos que teriam usado esse nome e residido no Rio de Janeiro por volta do século 19. Neste embalo, várias histórias compõem a história deste sábado inicial do carnaval brasileiro, gerando conflitos de datas, locais, personagens, e tudo mais; mas o certo é que esta profusão de versões parecem comprovar a origem portuguesa da folia (a partir do entrudo) e cristalizam o Rio de Janeiro como o sítio original onde teria ocorrido o batismo da versão brasileira para as antiguíssimas saturnálias. As ancestrais festividades dedicadas a Saturno (que, não por acaso, equivale ao sábado na relação entre os dias da semana e os deuses pagãos), Baco e/ou Dionísio. Festas visceralmente pagãs como tão só os carnavais brasileiros conseguem ser. Zé Pereira, com seu espírito gozador, virou uma data que é personagem viva, desempenhando o papel de arauto que anuncia uma única nova: Começou o Carnaval! Na construção mais antiga desse personagem, chegou-se a se lhe atribuir existência real, na condição de um comerciante português que nesses sábados de largada do período carnavalesco, saía às ruas do Rio de Janeiro a bater num bumbo, cantando e convocando aos cariocas à folia. Estória ou história, como, antigamente, distinguiam-se na língua pátria, o que era versão (ou ficção) do que seria fato (oficialmente reconhecido), a verdade é que este sábado é uma invenção brasileira da qual devemos nos orgulhar. E, tomando cuidado com os excessos, saber que hoje o bumbo do Zé Pereira confirma o início do reinado de festa e alegria de Momo.