loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A lua e o neto

Ouvir
Compartilhar

Em 1959, a atriz alemã Marlene Dietrisch emocionaria o público brasileiro ao cantar Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense/João Pernambuco em histórica apresentação no Golden Room. Desconhece-se o porquê dessa escolha. Talvez a simplicidade da canção e o ritmo lento, tenham facilitado as coisas para a musa germânica que tanto havia combatido Hitler e o nazismo. Mal sabia que uma polêmica cercava a verdadeira autoria da composição. É que o grande Catulo era acusado de havê-la surrupiado do compositor analfabeto João Pernambuco. Se um ou outro o fato é que não seria a primeira nem a última vez que a lua seria utilizada como tema de páginas poéticas. Em Ismália, por exemplo, Alphonsus Guimarães transmite a confusão de uma mente perturbada usando a imagem de uma lua vista no céu e no mar. O vozeirão de Vivente Celestino imortalizaria os célebres versos ? que hoje só os muito saudosistas escutam: ?Noite alta, céu risonho/ A quietude é quase um sonho/ O luar cai sobre a mata /Qual uma chuva de prata/ De belíssimo esplendor?. Aliás, nessa canção a lua é citada quatro vezes, aparecendo ora como airosa ora como esquiva Na memória me chegam agora os versos eternos de Chão de Estrelas, de Orestes Barbosa, ? ... E a lua furando nosso zinco/ Salpicava de estrelas nosso chão?, cantados por não menos estrelas, de Silvio Caldas a Elis Regina, passando por Nelson Gonçalves e Agnaldo Rayol, durante décadas um grande sucesso, espécie de hino nacional da musicologia brasileira. A Jovem Guarda não esqueceu da lua e registrou a versão cantada por Celly Campello, líder nas paradas musicais de então, o Banho de Lua: ?Tomo um banho de lua, fico branca como a neve/se o luar é meu amigo, censurar ninguém se atreve?. Eterna fonte de inspiração romântica, à ?força da lua? atribui-se o aumento de nascimentos durante a lua cheia, assim como o incremento de acessos de loucura. Por falar em loucuras, o carnaval aí está com seus temas de sempre: alegria, cachaça, desencontros, paixões passageiras, decepções, traições e a lua. Nesse contexto, a poesia de Zé Kéti não poderia faltar. O autor da melancólica Máscara Negra anotaria em Amor de Carnaval: ?A lua lá no céu é artificial/ Porque é carnaval/ Porque é carnaval?. Recentemente, meu neto Caio olhou a lua que majestosa despontava e quis saber: ?Vovô, para que serve a lua??. Tentei algumas respostas, mas fiquei mesmo com Ângela Maria: ?Todos eles estão errados/ A lua é dos namorados?. (*) É médico e professor da Ufal.

Relacionadas