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Opinião

A perda de um grande amigo

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Dorme desde a tarde do último dia 4 para sempre no seio da terra, o caro amigo Galba Accioly. Foi uma grande amizade que adquiri através da minha profissão, cuidando com o maior carinho de seus filhos Galbinha, Gustavo e Laís, desde o nascimento até a puberdade. E durante todos esses anos de convivência pude avaliar a personalidade do Galba como um empreendedor dinâmico, organizado e apaixonado pelo desenvolvimento de Alagoas. Herdou do pai Cyro Accioly, a tendência para o comercio e da mãe d. Creuza, a paciência, a forma diplomática de tratar as pessoas e a procura do bem estar para todos. Com essas qualidades logo se transformou em um grande empresário, destacando sua Cycosa como uma loja modelo de automóveis da marca Ford. Quando meu filho Cacá completou 15 anos, Galba fez questão que fosse trabalhar com ele e por lá ele ficou até os 17, quando entrou na Faculdade de Direito. Recebeu do Galba os grandes ensinamentos de como administrar sua própria vida com amor e segurança, o que muito lhe valeu. Mais tarde, outras marcas de automóveis vieram aliar-se à Cycosa tendo o Galba como timoneiro, dando oportunidades a novos empregos e projeção da terra alagoana. Ao seu lado Mario Bandeira, Max, Júlio e tantos outros que, juntos, viram crescer o consumo de automóveis em suas lojas. De repente, no auge do sucesso, veio a doença violenta, agressiva e mortal. Marília, sua dedicada esposa, dona Jandira sua sogra, foram em todas as horas do seu sofrimento um verdadeiro bálsamo. Apenas 61 anos de vida. Ainda tinha muito o que oferecer. É assim a nossa caminhada terrena. Começa com uma chegada e termina com uma despedida. A dele foi comovente. Ao entardecer. Depois da despedida vem o vazio, o silêncio. Depois do silêncio, vem a saudade. E ficamos a recordar o amigo que perdemos e que sabia viver a vida ao lado de sua linda família. Viver é a arte de ser feliz. Ser feliz é libertar-se dos obstáculos, daquela ansiedade que vai nos acompanhando teimosamente os passos até a morte. Para mim, saber viver é saber que através de alguma maneira contribuímos para melhorar a vida de alguém. E o Galba fez isso muito bem. É assim a vida, fugaz, passageira. Vida e morte são inseparáveis. ?Para todas as coisas há o momento certo?, diz o Eclesiastes. ?Existe o tempo de nascer e de morrer?. Ninguém perturba a memória dos que conseguem caminhar pela vida com fé e sabedoria. Esta foi a estrada percorrida pelo Galba, meu caro amigo. Galba, apaixonado por nossa natureza, pelo nosso mar, pelo nosso luar, pela nossa lagoa, pelo nosso coqueiral, onde estiver, há de dizer: ?Guardarei no meu olhar todos os azuis do céu da minha terra, do mar que sempre contemplei e trago na minha alma toda a doçura dos seres que amei?. (*) É médico ([email protected]).

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