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O carnaval � necess�rio

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O carnaval, a maior festa popular do Brasil, realmente propicia momentos de alegria e de felicidade ao nosso povo sofrido que, no fim da fuzarca, quando canta a música, ?é de fazer chorar?, do compositor pernambucano Luís Bandeira (?É de fazer chorar/ Quando o dia amanhece/ E obriga o frevo acabar/ Oh! Quarta-feira ingrata/ Chega tão depressa/ Só pra contrariar?), sabe como foi importante aquele período, porque, a partir da Quarta-feira de Cinzas, irá novamente enfrentar os problemas do cotidiano e as agruras da vida. Por isso, o carnaval é necessário. No entanto, numa cidade nordestina, com quase um milhão de habitantes, capital de um Estado maravilhoso, há alguns anos, a festa vem perdendo o brilho e o vigor, embora realize prévias comparáveis às melhores do País. Mas, como se sabe, o pré-carnaval serve apenas de aquecimento para o povo cair na folia, durante quatro dias (de sábado de Zé Pereira à terça-feira Gorda), pois, de acordo com o jargão esportivo, ?treino é treino, jogo é jogo?. Ocorre que estão subvertendo essa máxima. E, com isso, a cidade em comento, uma das mais belas do litoral brasileiro, dotada de uma boa infraestrutura, uma fantástica potencialidade cultural e de uma inegável tradição carnavalesca, já permitiu que pequenas cidades do litoral do Estado, que durante o ?tríduo momesco? apresentam acentuadas deficiências no abastecimento de água, luz e de acomodação aos visitantes, superassem o seu carnaval. Infelizmente, o poder público e os responsáveis pelas principais agremiações, para justificar o declínio do carnaval de rua, enfatizam que a cidade não tem condições de competir com as outras capitais do Nordeste e, por isso, deve ficar reservada ao descanso dos turistas que não gostam da folia. Como se não bastasse essa grande bobagem, o senhor prefeito de Maceió ? um artista popular ? em vez de procurar promover o soerguimento do carnaval na sua cidade, chegou a dizer em entrevista, a respeito do tema: ?Quem gostar de Olinda, que vá para Olinda! Quem gostar de Salvador, que vá para Salvador!?. Depois dessa gafe que se constituiu num comercial gratuito do carnaval de outras localidades, conclui-se que agora só falta alguém dizer que o carnaval da cidade não deve prosperar porque, se for incentivado, os foliões vão fazer xixi em locais proibidos, o que será outra justificativa estapafúrdia. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.

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