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B�ias e �ncoras

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Para o deputado federal Delfim Neto (PPB/SP), o recente acordo feito pelo governo brasileiro com o FMI é uma ?farsa? (como classificou em uma palestra na Capital paulista) ou uma ?patranha?, conforme titulou em seu artigo semanal em A Folha de São Paulo. Uma das personalidades brasileiras que mais entendem de economia, de governo e de FMI, o ex-poderoso ?Czar da Economia? durante longos anos, Antônio Delfim Neto sabe do que está falando. E não economiza palavras nem desvaloriza conceitos. Para ele, o acordo é, ao mesmo tempo, ?uma bóia e uma âncora?. Explica: é uma bóia salvadora para FHC e uma âncora imobilizadora para seu sucessor. Não há como negar razões a esta formulação, que está muito mais além de uma simples figura de linguagem. A realidade, dura e óbvia, é que o acordo transfere mais um grande prejuízo brasileiro para amanhã, aumentando os juros e as obrigações devidas. O País pagará mais e se amarra com maior força graças a um esforço conjunto do governo federal e de seus credores para tentar salvar o governo FHC de uma desmoralização de grande monta. Com o real fazendo água, a economia paralisada e sem planos de desenvolvimento, o Brasil está ao largo, numa tempestade. O acordo é o salva-vidas para FHC e sua equipe, que saltarão da embarcação deixada ao largo, ao sabor das intempéries e com um senhor rombo no casco. O analista lembra também que um outro grande empréstimo, de US$ 41 bilhões, foi contraído em 1998, que evitou a insolvência causada pela fragilidade do real naquela época e, ?coincidentemente?, possibilitou a reeleição de FHC, que mascarou assim a crise econômica e financeira que já se manifestava naquela época. Como o processo desmoralizador da política econômica de FHC não cessou naquela época, o FMI ?socorreu? seu áulico com mais um empréstimo de US$ 15,7 bilhões em setembro de 2001, para evitar a ?contaminação? com o desastre argentino. Tudo isso, corretamente, pode ser considerado bóia para FHC e todas são pesadas âncoras a amarrar o futuro do Brasil.

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