Opinião
Pol�cia x viol�ncia
Sem dúvida, uma das explicações para o aumento extraordinário nas denúncias contra a violência policial é o avançar da cidadania e a consolidação dos canais apropriados para a população apresentar seus reclamos. Além de aplaudir e apoiar esse trabalho de abertura cidadã às reclamações de quem se considera vítima de violências desferidas por autoridades (no caso, policiais), é necessário acompanhar a apuração de cada um desses casos relatados, pois é previsível que, imiscuindo-se entre vítimas inocentes, meliantes (bandidos e malandros de todos os tipos) busquem dificultar o trabalho policial, apresentando-se como anjos de candura (daqueles caídos do céu por descuido) feridos em suas virginais purezas pela ação indelicada dos representantes da Lei, que ousaram gritar-lhes ?teje preso? com decibéis a mais; e quem sabe, ousaram e macular-lhes os delicados pulsos com algemas ásperas... E coisas do tipo. É-se indispensável assegurar a ação policial limites éticos para o exercício de seu mister; porém, se faz igualmente indispensável o permanente trabalho de separar o joio do trigo, distinguindo, através de rigorosa (e rápida) apuração, o que é abuso de autoridade e o que é manifestação do indispensável rigor nas ações policiais. O cuidado para não ferir, de qualquer forma, o inocente (mesmo que suspeito), deve ser uma norma cotidiana para a polícia. Mas essa preocupação não pode virar uma fobia que transforme o policial num ser mofino, temente da própria missão de manter a ordem pública e fazer cumprir a lei, mesmo com o uso da força. Que os maus policiais sejam punidos exemplarmente, que os inocentes sejam protegidos com rigor; mas que rigorosamente sejam respondidos os criminosos; que a polícia não desrespeite ninguém, mas que não aceite desrespeito de ninguém. Esse é o caminho, uma via de mão dupla.