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Opinião

Algo al�m do perd�o

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Dramática situação vivida pelos pequenos produtores rurais endividados e pelos bancos credores, pois frente ao indispensável rigor para com as dívidas se alevanta a crueza da questão social. A manifestação realizada defronte das agências do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste, ambas em Arapiraca, reuniu agricultores ?pendurados? por dívidas tidas como impagáveis e, portanto, sob risco de perda das terras. Independente da solução deste caso em si, essa contradição é recorrente não apenas em Alagoas, mas no Brasil e no mundo. Nos Estados Unidos, o drama medonho gerou obras-primas como o romance As Vinhas de Ira, de John Steinbeck. Naqueles tumultuados anos da Grande Depressão, as instituições bancárias americanas não vacilaram em executar as hipotecas de incontáveis pequenos agricultores. O cenário de terra arrasada foi desolador, gerando uma reforma agrária ao contrário, atirando milhares de famílias à marginalidade. No Brasil, em várias ocasiões, lançou-se mão do perdão da dívida. Solução obviamente humanitária, traz consigo, porém, um inconveniente: pode viciar o cidadão. E como perdoar não paga dívida, o prejuízo termina caindo nas costas dos contribuintes (não se esqueçam que os bancos em questão são estatais). Para esse problema simples, ?dever e não ter como pagar?, a solução simplificada (não pagar) é enganosa (pois alguém pagará pelo inadimplente). Assim, é essencial a busca de soluções mais complexas, porém mais justas: O produtor rural incapacitado de saldar sua dívida, e que, comprovadamente, não tenha culpa na história, não deve perder a terra. Mas um compromisso com alguma forma de reparação (mesmo que parcial) necessitaria ser assumido, e cumprido, evitando que a semente daninha dos perdões graciosos germine em pomares onde ser inadimplente é meio de vida.

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