Opinião
Medicamentos irregulares
O medicamento é um bem a serviço da humanidade, porque tem o objetivo de manter a saúde e curar a doença. É um produto especial, cercado de cuidados, da pesquisa à produção, processo que envolve tempo (em média 15 anos) e dinheiro (aproximadamente US$ 1 bilhão). Não pode ser maculado por criminosos. Infelizmente, não é o que acontece. São despejadas toneladas de medicamentos irregulares, nas farmácias e drogarias do Brasil. Irregulares são os medicamentos falsificados, clandestinos ou sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vencidos e com validade remarcada, roubados ou pirateados. Obra de máfia impiedosa, que prejudica a saúde da população e a economia nacional. Atrai consumidores pelos baixos preços dos produtos. A irregularidade substituiu os sacoleiros por redes do crime transnacional organizado. Com o dinheiro rápido que fazem, financiam outras atividades, como o narcotráfico e o contrabando de munições. O medicamento pirateado pode não ter efeito no organismo e deixar de curar o paciente. E o Brasil perde mais de R$ 30 bilhões por ano, que poderiam ser investidos na área social e na saúde. Se a pirataria acabasse, hoje, no Brasil, geraria dois milhões de empregos, segundo o Ministério da Justiça. Só em Goiás, a Decon (Delegacia de Defesa do Consumidor) já apreendeu, nos dois últimos anos, 500 mil unidades de medicamentos e cosméticos irregulares. Muitos, em farmácias, drogarias e indústrias clandestinas ou que produzem medicamentos sem autorização da Anvisa. A Vigilância Sanitária do Estado e de Goiânia, a Anvisa e a Polícia Federal vêm participando de várias dessas operações. Entre os medicamentos irregulares, estão os indicados para impotência e obesidade, e os anabolizantes, com origem e composição desconhecidas, que viriam do Paraguai para o Brasil, ilegalmente, sem registro na Anvisa. Apelo, assim, à população: só procure farmácias e drogarias onde está presente o farmacêutico, profissional preparado, técnica e cientificamente. Conta com o auxílio de programas de controle e da legislação, que permite às farmácias adquirir medicamentos apenas de laboratórios e distribuidoras cadastrados na Anvisa. E aos proprietários de farmácia, auxiliares e balconistas, um alerta: não se envolvam com medicamentos irregulares! É crime e covardia que merecem o rigor da lei. Venceremos esta luta em nome da vida! (*) É presidente do Conselho Federal de Farmácia ([email protected]).