Opinião
Nossa visita a Amsterdam n�2
O guia, meio excitado, se aproxima anunciando que o trem já está à vista. A demora será de poucos minutos. Precipitamo-nos sem mais delongas para a plataforma e, mal a composição estaca, embarafustamo-nos pelas suas estreitas portas, com nervosismo. Rapidamente os companheiros arremessam as bagagens pelas janelas e em menos de 10 minutos estamos embarcados. Meio extenuados, começamos a arrumar as malas nas cabines. O trem parte. Balançando e apitando, vai engolindo a distância, rapidamente. Lá fora a paisagem é a mesma: imensas pastagens divididas por canais, onde, às vezes, vemos um gado peludo e malhado. Passamos, agora, por uma vila cujas casas, pintadas de marrom com frisos brancos, se perfilam às margens de um canal. Duas crianças que brincam na calçada, usando toucas de renda e tamancos de pontas reviradas, acenam para o trem. Começo a sentir tonteiras, outra vez, e sou forçada a abandonar a janela. Volto à cabine da improvisada pitonisa, que continua lendo a sorte dos compartes. Os clientes diminuíram, pois muitos dormem uma sesta, depois de terem devorado os lanches dados pela operadora de turismo. São duas horas da tarde. Um sol morno atravessa as espessas nuvens cinzentas e enche de reflexos as águas turvas dos canais.Vemos as primeiras casas dos subúrbios de Amsterdam. Atravessamos a grande ponte de aço sobre o Rio Amstel, que dá o nome a esse burgo e logo cruzamos o Centro da cidade. O trem vai diminuindo a marcha num gemer de ferros e para na plataforma da Estação Central. O guia local da operadora, entra no nosso vagão acompanhado dos carregadores. Respiramos aliviados! Já não teríamos problemas com a bagagem. Seguimos para o Hotel Vitória que fica na principal rua de Amsterdã, e bem perto da Estação. Oito horas da noite! Estamos sentados no salão de jantar do hotel. Um pianista magro e encanecido dedilha, com entusiasmo, o teclado de um piano. Ouvimos conhecidos blues e canções francesas. Os garçons nos servem pâte de fois gras como entrada, seguido de uma deliciosa galinha ao creme de queijo e, como sobremesa, uma Tarte Alaska, composta de suspiro, sorvete de chocolate e nozes, que está sublime! Sempre foi requintada e apetitosa a comida desse hotel! Já estive aqui antes e era assim. Nada mudou. Chega aos nossos ouvidos uma música familiar. É o pianista que toca para nós a Aquarela do Brasil. Depois executa A Praça e o Samba de Uma Nota Só. É uma satisfação ver como nossa música está se difundindo na Europa. Cantada até por Sinatra, ela vem despertando a atenção dos estrangeiros. O garçom se admira de eu preferir tomar água em lugar de vinho. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.