Opinião
Haiti e Chile: li��es
Conviver com a Natureza, nas sociedades modernas exige conhecimento e condições materiais mínimas para o enfrentamento das intempéries. Sem isso, as tragédias serão cada vez mais dolorosas. O explosivo aumentos das populações, aliado ao crescimento da pobreza, à ignorância das Leis da Natureza e ao descaso dos poderes públicos em muitos países tem aumentado em muito os riscos frente aos cataclismas. Eventos naturais de grande impacto, como terremotos, tsunamis, tempestades e vulcões ? ao longo dos tempos ? têm causado enormes tragédias. Mas, o conhecimento acumulado e o avançar das ciências fornecem, desde há muitas décadas condições para um enfrentamento menos mortal dessas catástrofes. O homem, em sua inconsequência, é o responsável pela maior ou menor extensão das tragédias. Ao compararmos os terremotos no Haiti e no Chile, podermos perceber a diferença entre uma sociedade razoavelmente preparada e uma inteiramente desassistida. Segundo as agências especializadas, o terremoto que atingiu o Haiti foi de 7 graus na escala Richter, num evento que destruiu, quase inteiramente, o país, matando aproximadamente 200 mil pessoas. O abalo sísmico no Chile teve a magnitude de 8,8 graus e matou cerca de 700 pessoas. O povo chileno tem experiência acumulada em terremotos e parte de seus imóveis são erigidos considerando a possibilidade de tremores; o povo haitiano não sabia o que era um terremoto. O Chile tem um Estado organizado, sendo uma das mais tradicionais democracias das Américas, e uma economia pujante; o Haiti tem uma estrutura estatal corroída por ditaduras sangrentas e corruptas e uma economia claudicante. Não há como se evitar o cataclisma, mas seus efeitos podem e devem ser minorados. E isto depende do ser humano e de nossas estruturas sociais e econômicas.