Opinião
Grave inseguran�a
Indiscutivelmente, a realidade de insegurança pública e notória em Alagoas merece uma melhor atenção das autoridades. E necessário se faz distanciar essa preocupação das pressões sindicais, aparentemente radicais, mas que expressam mero corporativismo. Em jogo está algo além das campanhas eleitorais ou salariais. Por tal situação todos os que tem a ver com a segurança pública devem ser chamados à responsabilidade: desde o governador do Estado até o agente civil ou o soldado da PM. O sistema inteiro está sendo permanentemente desafiado, e, mais das vezes, batido, pelos marginais. Nenhuma camada social está à salvo em Alagoas. Há dias, mais um assalto a ônibus urbano degenerou em tragédia, com o frio assassinato de um passageiro (em função de sua deficiência auditiva, foi trucidado sem pena). Ontem, o comentário num dos badalados restaurantes de Maceió dava conta de uma operação na qual mais de uma família de classe média alta teria ficado refém de um bando de assaltantes por mais de 24 horas, e, ao longo deste tempo, foram tendo valores sacados. As vítimas estariam com receio de registrar queixa, por sentirem-se desprotegidas frente a represálias. Tal descrição pode ser boato, a anterior é fato. Em sendo boato, a segunda história, infelizmente, se insere num quadro real de temor e impotência da sociedade alagoana frente ao crime. Cenas de tiroteios de ajustes de contas entre traficantes e, como produtos dessa guerra por pontos de tráfico, corpos abandonados a céu aberto, desgraçadamente, têm sido recorrentes. Em determinados momentos, como no caso do assassinato do policial Anderson Silva, a polícia tem dado respostas exemplares, dignas da missão policial. Mas, num balanço geral, a contabilidade é muito negativa contra a sociedade, e, muito particularmente, é desastrosa contra a própria instituição policial.