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Opinião

Monte Calv�rio

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O final de Jesus, o Filho Unigênito do Espírito Santo, ocorreu no Monte Calvário, também chamado Gólgota, que em hebraico quer dizer ?Lugar da Caveira? devido à semelhança com a horrível designação popular de nossa cabeça após a devastadora ação da deusa Morte. Ninguém sabe ao certo quantos anos se passaram da feliz manjedoura de Belém ao trágico dia em que foi barbaramente destituído da condição humana. Sabe-se, porém, que quando iniciou sua breve pregação teve seus momentos de glória ao realizar feitos milagrosos e ir de encontro ao status quo com palavras e comportamento. Esqueceu que travar uma batalha contra a hegemonia do Templo e a tirania religiosa dos diversos grupos existentes significava, em última instância, lutar contra o indesejável invasor e controlador do território e do povo judeu: o então poderoso e impiedoso Império Romano. O oprimido não pode lutar contra o opressor há não ser que disponha de recursos humanos muito bem preparados, artefatos bélicos sofisticados ou uma ?carta na manga? supereficaz. Este foi o grande problema de Jesus, pois nada disso possuía. Como, então lutar contra opressores cuja violência beirava a irracionalidade, utilizando como arma uma doutrina que o principal foco era ensinar a ?amar o inimigo?? Um inimigo que possuía aliados na classe dominante do território ocupado que desejavam vê-Lo morto? Um inimigo dono de uma conduta totalmente animalesca para com aqueles que oprimiam? Claro está que esta era uma pretensão absolutamente impossível e que, também, teria conseqüências inimagináveis! Acusado pelos judeus de blasfêmia e pelos romanos de revolucionário, foi condenado a mais terrível e infame das penas capitais aplicada pelos romanos a um ser humano: a crucifixão. Levado ao Monte Calvário sua Paixão atingiu, progressivamente, o clímax da dor física ? pregaram-No com cravos no patíbulo e no stipes; da dor moral, descrita em seus mínimos detalhes em Mateus, 27,39-44, Marcos, 15,29-32 e Lucas, 23,35-37 e, finalmente, da dor religiosa. Sobre a dor religiosa encontramos quatro informações: duas não concordantes e duas inteiramente concordantes. As que não concordam estão em Lucas, 23,46 e João, 19,28-30. Foi, no entanto, no clímax da dor religiosa, ou seja, no momento da morte, que Jesus demonstrou toda sua agonia, angústia, decepção, abandono e desespero, pois de acordo com Mateus, 27,46 e Marcos, 15,34, Ele disse: ?Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste??. Note-se que esta desesperada exclamação tende para a mais pura verdade por que é a continuação do não atendido pedido feito no Monte das Oliveiras: ?Pai afasta de mim este cálice?. (*) É professor da Ufal.

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