Opinião
Vizinho perigoso
Chama a atenção, em notícia veiculada ontem, o fato de detentos em fuga terem invadido instalações da Universidade Federal de Alagoas em Arapiraca. Ou não é inquietante a proximidade entre um centro de ensino e uma penitenciária? Mais inquietante ainda é a constatação que semelhante vizinhança também pode ser encontrada em Maceió. Das salas de aula de vários prédios do Campus A.C. Simões são descortinadas vistas panorâmicas do presídio de segurança máxima (?) Baldomero Cavalcanti. Espantosa, e condenável, coincidência. É evidente que uma instituição penal deva guardar distância das áreas mais densamente povoadas e, especificamente, de edificações cujo aglomerado de usuários possa elevar significativamente o risco, natural e previsível, de confronto. A vida comprova ser inexorável a tendência de fuga das prisões, reafirmando também a alta carga de violência presente em confrontos envolvendo presidiários. Esses choques são assustadoramente sanguinolentos. Como se entender a presença de escolas edificadas nas ?rotas de fuga? de centros de detenção? Explicações podem ser dadas. Mas não existem justificativas para tamanho despautério. Poder-se-ia dizer que apenas foram utilizadas áreas publicas geminadas, que desapropriar noutro local encareceria a obra, ou outros tantos porquês do tipo. Mas a convivência entre celas e salas de aula é algo indecoroso (a não ser, lógico, que a escola seja específica para os detidos naquela instituição). Absurdos assim comprovam a indigência de nosso planejamento urbano e a completa rejeição, por parte das autoridades, das normas elementares do zoneamento para o uso do solo. Ao fim e ao cabo, quem paga a conta por tão despropositada política é a população, seja nos altos custos dos ?presídios seguros?, ou no alto risco de tragédias pela incompetente localização desses núcleos do perigo.