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Opinião

A �tica na pol�tica

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No último dia 2, a família e os amigos do saudoso senador Ruy Palmeira, fizeram na Catedral de Maceió um encontro litúrgico, para celebrar com saudade seus 100 anos de vida, que faria se fosse vivo. Ruy Palmeira faz parte da minha memória, das minhas recordações de adolescente quando estudante do Guido, frequentava sua casa convivendo com os seus filhos e já sentindo como ele era um homem digno em seu comportamento político. Outra cena inesquecível da minha adolescência é aquela em que, guiados pelo grande educador Cônego Teófanes de Barros, eu e os meus colegas íamos visitar a Assembleia Legislativa de Alagoas para recebermos lições de civismo. Ficávamos boquiabertos com os discursos de Lourival de Melo Mota, Joaquim Leão, Carlos Gomes de Barros, Mário Guimarães e tantos outros daquela época, que faziam da política uma verdadeira missão de honra em beneficio do povo. Como os tempos mudaram! Era o conceito daqueles homens inesquecíveis de que o verdadeiro bem estar, a verdadeira felicidade só se consegue quando a luta pela vida é vivida dentro da ética. A lei do retorno é implacável; a história nos mostra isso todos os dias. Vemos nos jornais e na televisão diariamente atitudes absurdas causadas por políticos que nos entristece. Estamos em plena campanha eleitoral. Os candidatos se movimentam para conquistar a vitória. E o povo assiste o desempenho dos fatos e a juventude sente-se decepcionada pelos políticos e tornam-se indiferentes aos mesmos. Nós amamos o nosso Brasil; terra rica, com a natureza deslumbrante, um povo bom e hospitaleiro, porém uma Nação que vive sempre desorganizada; as leis não são cumpridas, todo mundo manda e está repleta de excluídos. Li certa vez, um dístico preso a um caminhão na estrada que achei engraçado. Dizia: ?O problema brasileiro é que nossa democracia é uma anarquia?. Isso é triste, mas infelizmente é a verdade. O Brasil vive hoje uma fase de transformações históricas, uma fase de aberturas para o mundo. Nossos passos ainda são vacilantes porque os obstáculos ainda são muito grandes. No Brasil há leis que pegam e leis que não pegam. E os casos se sucedem. O Barão de Itararé, que teve o seu prestigio na época do Império, dizia: ?O mal de quem nos governa não é falta de persistência, mas a persistência na falta?. Vemos, portanto, que o nosso mal é crônico. Cabe aos que forem eleitos este ano, que serão os futuros dirigentes do Brasil, com perseverança e ética, cumprirem suas obrigações perante o povo que os elegeu. As desilusões se repetem. Para muitos brasileiros o viver tem sido penoso. Mas, apesar de tudo, neste mundo difícil como o atual, é preciso navegar nos barcos da vida e jamais sacudir os remos na água. (*) É médico.

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