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Opinião

Ainda a polui��o

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Domingo último, o jornalista gazeteano Lelo Macena, em excelente reportagem, tratou com muita propriedade do eterno problema que é a poluição que sofre o Rio Mundaú em 15 municípios alagoanos e outros 15 pernambucanos, todos sofrendo de violenta e criminosa agressão. A poluição do meio ambiente não é apenas um problema do nosso Estado, mas também de outras capitais e cidades do País, ao longo de uma vastidão continental e universal. Lembro-me que quando presidi a Federação das Colônias de Pescadores de Alagoas, por quase 20 anos consecutivos, já encontrava o problema crucial e criminoso da poluição naquelas águas. Através dos dirigentes das colônias, em número de 24, àquela época, situadas à margem das lagoas Mundaú, Manguaba, Jequiá, Baixo São Francisco e no Litoral Sul do Estado, a Federação das Colônias recebia sempre denúncias sobre a poluição comprometedora da fauna e flora ictiológicas nos rios e lagoas, bem como a sobrevivência dos seus pescadores. Com tais denúncias de suma gravidade, eu as levava à consideração da Coordenação do Meio Ambiente da Secretaria de Planejamento, à frente os biólogos José Geraldo Marques, José Roberto Fonsenca, Osvaldo Viegas e do saudoso geógrafo prof. Ivan Fernandes Lima, tendo este último sugerido a industrialização das caldas das usinas de açúcar e álcool com o apoio do governo federal. Hoje, sabemos que o vinhoto de algumas indústrias do parque sulcoalcooleiro passa por um processo de decantação em depósitos especiais. Sugeriu ainda, o talentoso prof. Ivan, que se diminuísse o impacto ambiental na restinga de Maceió, a poluição nos rios e lagoas, que no dizer de Octávio Brandão, no seu admirável livro Canais e Lagoas, ?as lagoas fecundam a terra, repartem-lhe o viço, doam-lhe a beleza e a alegria. Vivem como pulmões a transformar em bens que o mal lhe apresenta?. E foi mais além, o nosso Octávio Brandão, quando disse: ?Sempre que vejo as lagoas, meu ser enche-se de gratidão para elas?. Com a despoluição e conservação do Vale do Mundaú e respectivas lagoas, teremos em consequência a beleza das cidades e a razão de ser das pessoas pobres que habitam as suas margens, principalmente os pescadores, que estão a braços com a perspectiva da fome e de miséria, juntamente com suas famílias, além da motivação turística. Notável pensador do Velho Continente, afirmou ?que o homem é o único animal que destrói seu próprio ambiente, numa inconsciência perfeita do meio natural, imprescindível à vida de cada espécie viva?. (*) É procurador de Estado, aposentado e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

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