Opinião
Ao sabor das conveni�ncias
Reclamar de algo a que tenhamos direito, individual ou coletivamente, é uma alternativa que a todos assiste. Mas, quando o fazemos em oportunidades nas quais estamos sendo contrariados ou noutras em que possamos tirar alguma vantagem, é simplesmente questionável. Um exemplo clássico está se passando em São Paulo. Contrariada por uma emissora ?A? ter conseguido que a Federação Paulista de Futebol (FPF) proibisse entrevistas de jogadores dentro de campo, antes e nos intervalos dos jogos, dos quais faz o televisamento, a emissora ?B?, após reclamar na própria FPF e não obter sucesso, entrou na Justiça Comum recebendo idêntico resultado. A emissora ?A? compra as transmissões e, à noite, o horário é após o término da novela das oito. Ou seja, o início é às 21h45, impreterivelmente. Entrevistadores em campo atrasam o início do jogo. Aí está: não é de hoje que essas transmissões são feitas nesse horário sem uma objeção de quem quer que seja. Começa tarde, começa. Termina tarde, termina. Principalmente para quem vai ao estádio e depende de transporte público. Mas por que só agora se reclama desse horário? Porque a emissora ?B? foi contrariada em suas pretensões. Por não conseguir realizar suas entrevistas dentro de campo, partiu para questionar o horário dos jogos noturnos. Agora prega que a televisão tira o torcedor de campo, mas, em compensação, a ?A? garante, e os clubes atestam, que o pagamento da quota por ela realizado cobre a renda dessa parcela de ausência e até mais. A questão é discutível, mas o proveito momentâneo tira o mérito da querela. Típico comportamento é assistido em nosso meio. Os campeões têm sido os sindicalistas. Friso mais uma vez que não discuto a justeza de suas reivindicações. Até que sabemos discernir tais fatos. Mas, o que fica claro é a vinculação transitória de tais reclamos com outros interesses políticos: sindicais e partidários. Conseguem comover seus filiados por questões tantas, como a melhoria das condições de trabalho. Mas, logo após o pleito eleitoral da classe, são esquecidas dentro das urnas com a vitória ou com a concessão do aumento salarial. Vale tudo nessa luta. Quem tem obrigação de manter a ordem, é o primeiro a transgredi-la. Chegou-se a paralisar desfile patriótico e até prender uma mulher, no seu dia, por impedir uma ?carteirada? em cinema. E quem tem o dever sublime de educar deixa de dar aulas, algo que nunca será reposto, como o tempo, que o aluno jamais irá recuperar. E assim vão ao sabor das conveniências. (*) É bacharel em Economia.