Opinião
Aposentadoria e velhice
Atendi esta semana no meu consultório um senhor de 85 anos acompanhando seu bisneto doentinho. Sempre alegre, espírito jovem, saudável, disse-me ele anda todos os dias em seu cavalo de estimação, toma banho de bica em sua fazenda e viaja com frequência para Recife e Salvador, visitando os filhos e netos que ali residem. E olhando aquele cidadão, conclui realmente, que o gosto de viver é o elixir da longa vida. Às vezes o homem se aposenta com 50 ou 60 anos e fica em casa parado, só sentado assistindo televisão. Aí começa a entrar na ?fossa?, ficando nervoso, aperreado com o barulho de casa e sem ter o que fazer, tornando-se às vezes um ?chato? para a família. Na verdade, o envelhecimento necessita de atividade. Atividade é vida. Está provado que atividade e longevidade guardam íntima relação de causas e efeito. A atividade mental e a atividade física igualam-se em seus efeitos benéficos. Temos que descobrir depois dos 60 anos o que podemos fazer e gostamos de fazê-lo. É impossível que uma pessoa não tenha gosto para nada. Trace um plano de vida de acordo com suas possibilidades e adapte-se às condições e circunstâncias, sem covardia. Descubra você mesmo o seu caminho e não permita que ninguém perturbe o seu sonho de longevidade, ativando seus neurônios, seus músculos, seus nervos e tonifique o seu coração. Porque o cérebro se deteriora? Porque ele é parte do corpo humano. Assim com um programa adequado de manutenção e rejuvenescimento o nosso cérebro funciona muito bem durante o envelhecimento. Envelhecer não é morrer aos poucos como muita gente pensa. É viver cada vez mais. A média de vida do idoso brasileiro aumentou na última década porque ele sabe se cuidar melhor. Agora é de 75 anos. Em 1970 era de 62. ?A vida começa aos 40? diz o ditado popular. Na verdade a vida começa em qualquer idade em que se esteja feliz, sentindo-se útil a si e aos outros. O Brasil possue milhões de aposentados vivendo seu domingo da vida. Vamos viver o nosso domingo. Não deixe que esse precioso tempo que é nosso se perca. Temos que aproveitá-lo. Conheço dezenas de aposentados que passam dos oitenta e vivem trabalhando como jovens entusiasmados e felizes na execução dos seus trabalhos. Aqui em nossa terra posso citar minha irmã Hely e meu cunhado Bragança, meus secretários atuantes e dinâmicos; meu colega Duílio Marsiglia, que diariamente está atendendo na Santa Casa de Misericórdia com o entusiasmo de um recém-formado; D. Lizete Lyra que não para de viajar aos 86 anos; Anilda Leão declamando e cantando em nossas reuniões sociais com a alegria de sempre e Luizinha Canuto que completou nos últimos dias 90 anos e é de um dinamismo extraordinário. Aos aposentados da minha terra, boa sorte. (*) É médico ([email protected]).