Opinião
Uma forma de olhar a realidade
O bom humor é uma forma sadia de olhar a realidade. A outra é o mau humor. Embora o mau humor sempre se imponha, por amedrontamento, o bom humor é mais poderoso pela alegria que nos traz. O exercício do bom humor fomenta a comunicação interpessoal, favorece a partilha de ideias e impulsiona a pessoa a empreender projetos. Podemos asseverar que até Deus é bem-humorado e ri dos impérios; estes, sim, é que são mal-humorados, quando se arvoram contra o seu povo (Salmo 2,4). Os poderosos deste mundo temem o bom humor, porque relativiza as pretensões absolutistas, ameaçando, portanto, tudo quanto se pretenda realizar, definitivo e inquestionável. O bom humor questiona tudo, libertando as pessoas de tudo quanto pareça prisão definitiva. A vida envolve numerosos problemas que devem ser enfrentados e resolvidos. Se os problemas são encarados com mau humor, aumentam em muito o seu tamanho, tornando-se difíceis de resolver. Ao contrário, se forem enfrentados com bom humor, já se encontram 50% resolvidos. Quem é sensato aprende, de logo, a cultivar o bom humor, como a grande ferramenta para o bem viver. Saber rir das situações em que nos envolvemos, liberta-nos dessas mesmas situações. Dizem que a pessoa que não sabe sorrir, nem cultivar o bom humor, jamais deve entrar para o mundo do comércio. Os comerciantes que de braços cruzados permanecem mal-humorados, já fecharam suas lojas. O bom humor é a grande conquista da humanidade. Na natureza, somente os seres humanos aprenderam a sorrir, libertando-se de tudo que cercearia a vida, a fim de construir sua história que não deixa de ser uma conquista a exigir esforço e luta. Nela, mais do que o bom humor, é responsável por aquele misterioso sorriso retratado no semblante dos chineses há mais de cinco mil anos de história. Humorize a vida presente daquele humor sorridente consciente de que o momento presente é tudo quanto você tem para sorrir na vida. Contam que o grande cientista Einstein era muito distraído: esquecia nomes, números, compromissos. Certa ocasião, perdeu-se nas planícies ao redor de Princeton (Estados Unidos), onde costumava passear. Entrou em uma residência, à margem do caminho e pediu para telefonar: ligou pedindo a seus familiares o número da residência e o nome da rua em que morava. Após o fato, começava a rir do esquecimento que tivera, usando o bom humor para vencer na vida. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.