Opinião
Ainda visitando Amsterd�
Contemplo outra vez o Palácio Real de fachadas austeras, feito por Napoleão Bonaparte, que dominou a Holanda por três anos. A rainha tem outros sete palácios e como não gosta do ar tristonho dessa cidade prefere morar no interior. Visitamos a igreja onde foram coroadas as rainhas Guilhermina e Juliana, construída em 1014. E agora descemos no Museu Rembrandt ou Risks. Rembrandt é um dos meus pintores favoritos e, assim, deleita-me a visão de seus quadros harmoniosos no colorido, perfeitos no desenho, profundos na expressão, dinâmicos e tocados por uma luz que lhes empresta efeitos surpreendentes. Outros pintores nacionais e estrangeiros estão representados nesse museu, mas a maioria é de Rembrandt. Rembrandt nasceu em Leyden, às margens do Rio Reno, mas foi em Amsterdã que aprendeu a pintar, no atelier de Pieter Lastman. Após o seu casamento com Saskia, filha de um rico burguês, o pintor alcança grande popularidade, fazendo retratos de gente famosa. Sua vida é feliz e transparece nos seus quadros. Vinte anos mais tarde, a esposa morre, deixando-lhe um filho, Titus, de quem faz vários retratos. Desiludido e triste, Rembrandt começa a transferir para os quadros a dureza de seu sofrimento e a degradação do corpo humano. Esse estilo de pintura, real e violento, afasta os clientes. Sem encomendas, seus recursos vão diminuindo até que passa a viver às expensas do filho, então rapaz. Quando Titus morre prematuramente, seu desgosto o torna ainda mais amargo. Apesar de se encontrar na miséria, continua a pintar quadros magistrais, que são verdadeiras análises da alma e da matéria humanas, mas ninguém compreende essas obras-primas que, hoje, o colocam entre um dos maiores pintores do mundo. Rembrandt morre em 1669, pobre e abandonado. Do Riskis Museu, vamos visitar um bairro residencial, onde encontramos belíssimas mansões ajardinadas. Como toda a Europa, nessa época, a Holanda está toda florida. Os jardins, públicos e particulares, nos deslumbram com suas flores de variados matizes. Visitamos depois a Galeria Nacional, com quadros magníficos de Van Neer, cujos panoramas noturnos reproduzem mágicos luares; de Van der Hest, pintor de perfeitas naturezas mortas; de Kalff, perito em reproduzir metais; de Hooch e de Steen, que retratavam os costumes da família holandesa. Deixamos os museus e agora passamos pelos mercados novo e o velho de Amsterdã. Vamos até o famoso Zuiderzee, o mar formado com a invasão da planície pelas águas tempestuosas do Mar do Norte. Aos poucos está sendo conquistado pelos engenheiros, num trabalho obstinado e inteligente. Conseguiram fechá-lo, por meio de diques e, devagar, vão expulsando suas águas, usando barragens secundárias e possantes bombas. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.