Opinião
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Hoje Pilar amanheceu aos estampidos de fogos e ao som da banda de música local, por ocasião da emancipação política daquele município. Os pilarenses vão às ruas comemorar a maior data festiva da história pilarense. Os escritos sobre a sua origem estão espalhados nos rincões das Alagoas e do Brasil. Originou-se de um lugarejo às margens da Lagoa Manguaba, com poucas casas, cuja orla lagunar é ornamentada de coqueirais gigantes. Se fizermos uma viagem retroagindo aos fatos e atos ocorridos naquela cidade, com certeza encontraremos uma grande Pilar, sendo à época o maior empório mercantil da região. Dava-se ao luxo de possuir usina de açúcar, fábrica de tecidos, três cerâmicas, duas torrefações de café e armazéns de cereais. Teve a honra de ser visitada por Dom Pedro II e sua comitiva. A sociedade local ofereceu um grande baile à família imperial naquele momento. Naquela oportunidade, houve um fato interessante. O sr. José do Patrocínio, que era negro e fazia parte da comitiva imperial, convidou uma jovem da sociedade pilarense para dançar com ele, mas o convite foi recusado. Observando aquela cena, a filha do imperador, num gesto todo cortês, convidou Patrocínio para dançar com ela. Aconteceu que, após o mesmo haver dançado com a princesa, fora convidado para bailar com a jovem que lhe havia recusado anteriormente, a quem respondeu prontamente: ?Após dançar com a filha do meu imperador, nada melhor do que permanecer sentado. Obrigado pelo honroso convite?. Como filhos ilustres citamos Arthur Ramos, Costa Rêgo, Zadir Índio, Enoch Barros, Álvaro Costa, Américo Costa, Luís Américo, Zito Cabral e tantos outros. Presentemente, destacamos Benigna Fortes, Antônio Sapucaia e Albérico Cordeiro. O berço cultural dos pilarenses foram o Grupo Escolar Oliveira e Silva e o Ginásio Nossa Senhora do Pilar, sendo este fundado pelo deodorense Padre Aristides Paiva. É salutar e oportuno recordar fatos pitorescos ocorridos naquela época. Por exemplo: os banhos de bica do Grajaú, Fábrica de Tecidos, Jacaré e Marrecas. As festas da Padroeira, Santo Cruzeiro, São Benedito, Igreja do Rosário, Igreja das Graças, São Jorge, Santa Luzia e São Cristovão. Lembramos o banho de bica e alambique existentes no Sítio do Zé Alfredo Sapucaia com a tradicional cachaça de cabeça. Os pastoris, cheganças e baianas. O Grêmio Rui Barbosa do Ginásio, onde os estudantes aprendiam a falar em público e passavam a conhecer vultos das literaturas brasileira e portuguesa. Destacamos ainda, os nomes dos professores Padre Aristides, Neyder Alcântara, Manoel, Sebastião Vasconcelos, Rildo Veloso, Maria da Apresentação, Jacinto, Maria José França, Maria José, Jacy Aires, Iraci e Elza Lira, que muito contribuíram na formação moral e intelectual da juventude daqueles tempos. Agora, tudo passou e tu, ó Pilar, continuas a mesma, só mais bonita e repleta de sorrisos. Tua gente mudou de fisionomia. As autoridades e os políticos mudaram de roupagens, mas as ideias e a vontade de acertar continuam. (*) É advogado.