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Opinião

O zepelim destruidor

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A cada dia que passa, a corrupção política se alastra impunemente pelos descaminhos do podre poder. Sua ação é violenta e causa medo. Faz-me até imaginar que ainda estamos em estado natural, longe da civilização. Mesmo aterrorizado, tento proteger nossos impostos. E, de tanto resistir, às vezes enxergo coisas que ninguém vê. Vejo e não me omito, pelo contrário, denuncio os crimes aos quais testemunhei, como o faço agora. Naquela manhã, notei que a natureza prenunciava algo funesto. Era como se um grande e indestrutível monstro voltasse para usurpar a todos nós. O ambiente era de impotência. O sol nasceu melancólico e parecia resignado com o que estava porvir. Envergonhado, o vento não seguia seu curso natural, soprava verticalmente, com quisesse se esconder debaixo da terra. Ao perceber os sinais da natureza, corri para avisar a cidade, mas não deu tempo, pois o monstro, cínico e desumano, já havia chegado. Olhei para o céu e confirmei sua exuberante presença. Era um enorme zepelim. ? Não é possível, mais um zepelim gigante, a cidade não suporta mais tantas injustiças! Mas aquele era todo de vidro, descaradamente transparente, de forma que eu podia ver quem estava lá dentro e como se locomoviam. Era uma movimentação serena, própria de quem vai realizar uma missão projetada por seres que estão num nível superior ao nosso. Alguns desses seres incomuns desceram até o nosso mundo para realizar a corriqueira missão de dizimar a cidade. Mas não traziam dois mil canhões ou qualquer outro artefato de guerra, carregavam apenas enormes sacolas, transparentes. Pararam no meio da rua e depois caminharam tranquilamente por entre os transeuntes. Passaram despercebidos pela delegacia de polícia e chegarem à prefeitura municipal. Entraram, e ninguém viu. Após esvaziarem o cofre e abarrotarem suas sacolas com o dinheiro da população, partiram deixando a cidade arrasada. Graças aos meus dotes sobrenaturais, consegui presenciar mais um de seus assaltos que, diga-se, vem centralizando a riqueza da nação na mão de poucos e transformando cidadãos comuns em marginalizados. Vem, vale dizer, travando nosso crescimento econômico e, como corolário, provocando violência e insegurança. Inconformado com tamanha desmoralização, elaborei este singelo depoimento. Espero que o Ministério Público e a justiça tomem as devidas providencias, afim de impedir a rotina até então natural e incivilizada do zepelim destruidor. (*) É contador.

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