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Opinião

Educa��o cient�fica e inclus�o social

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É matéria consensual que um desenvolvimento genuíno e continuado deva necessariamente se apoiar em uma educação de qualidade. De qualquer outra maneira, podemos até mesmo assistir a um cenário de crescimento momentâneo, o qual, por absoluta falta de consistência, não apresentará condições de ter continuidade devido a uma situação que não se revelará como minimamente capaz de atender às demandas que o próprio desenvolvimento sadio gera, por um lado, e requer por outro. Em um mundo de crescente presença de ciência e tecnologia (C&T), a educação científica desempenha papel de crucial importância no seio do largo espectro que contempla a educação no sentido lato do termo. Mesmo porque a educação científica não se restringe às teorias específicas e aos seus princípios explicativos causais que dão ou que pretendem dar conta dos fenômenos, quer sejam naturais ou sociais. É necessário também que as comunidades engajadas nas práticas de C&T tanto exercitem quanto exerçam a crítica sobre as suas próprias produções e que avaliem as funções e implicações sociais dessas. E ainda mais, é necessário que a sociedade civil também exerça essa crítica. Para a consecução deste programa, a educação científica presta uma inestimável e preciosa ajuda. Ela, enquanto educação, é necessariamente social e, enquanto científica, deve necessariamente se alicerçar no universo de teorias e categorias conceituais que caracterizam a sua tradição, a qual por mais que esteja consolidada também está em franca e permanente evolução. É assim que entendemos que a inserção dos cidadãos na educação científica deva ser fator que ajude a prover a inclusão social, embora isso isoladamente não seja suficiente, caso a educação científica não venha acompanhada de outras políticas públicas inclusivas. Portanto, devemos evitar dois extremos. O primeiro é o de centrar a nossa atenção exclusiva nos princípios explicativos causais das disciplinas científicas das quais lançamos mão para compreender os fenômenos. O segundo é o de tentar exercer uma crítica que não se assenta no conhecimento profundo desses princípios, o que não implica que a sociedade civil não deva exercer a sua própria e imprescindível crítica, pois ela tem a sua especificidade e importância. Ambos os extremos levam à cegueira epistemológica e, portanto, devem ser evitados. (*) É coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Ufal

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