Opinião
Mundos muito diferentes
A semana está sendo exemplar em novamente mostrar como se comporta o setor público. Enquanto o governo estadual tenta desesperadamente dar um mínimo de organização ao funcionamento das instituições públicas,onde a ineficiência e a limitações predominam, a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas insistem em aumentar os seus duodécimos, fato que tem gerado uma série de gostosas charges do criativo chargista Ênio Lins nas páginas desta Gazeta. É tão cansativa quanto constrangedora esta querela que antepõe o Executivo, que se depara com um Estado desestruturado, pobríssimo, onde entre tantas deficiências que atormentam a comunidade, existe um único hospital de emergência na capital, que vive constantemente superlotado, com pacientes que nunca param de chegar do interior e os poderes Legislativo e Judiciário que nunca param de querer mais dinheiro e que parecem viver em um mundo de fantasias, totalmente alienado da cruel realidade que maltrata a maioria da nossa população. A lateri, em Brasília, descobriu-se que existem 164 mil servidores federais que militam também no funcionalismo de vários Estados e do Distrito Federal. A constatação veio em decorrência de um levantamento que cruzou dados da União como os cadastros dos governos estaduais. Em 53.793 casos, os servidores ocupavam mais de dois cargos. Outros 47.360, embora em regime de dedicação exclusiva, também respondiam por outra função no funcionalismo. Existem servidores que acumulam mais de cinco cargos, distribuídos em vários Estados. A regularização desta situação poderá gerar a economia para os cofres da União de cerca de R$ 1,7 bilhão por ano. Provavelmente estes servidores não trabalham em nenhum dos muitos locais onde recebem os seus contracheques. Imaginem se fizessem um levantamento das aposentadorias precoces e graciosas no serviço público... No sempre festivo Rio de Janeiro, a redistribuição dos royalties do petróleo para os demais estados da Federação deu além de uma monumental manifestação pública na Cinelândia, um festão e um feriadão no meio da semana,no qual, aproveitando o Amarelinho e outros bares da região, o chope correu frouxo. Mais, ao tempo em que o gordo serviço público esbanja gordura e perdularismo, o setor privado se aprimora e batalha para trazer mais desenvolvimento. Magro e dietético tem um de seus maiores líderes como motivo de justa homenagem: Emérson Tenório, empresário dos mais lúcidos e competentes, será o grande homenageado por Antônio Noya e outras lideranças setoriais. São mundos muito diferentes. (*) É médico e professor da Uncisal.