Opinião
Investiga��o s�ria
Mais importante do que o impacto das imagens, mais grave do que a multiplicação do espetáculo toscamente reproduzido e tornado de grande distribuição por meio de vendedores ambulantes, mais dramático do que qualquer exagero sensacionalista na imprensa. As denúncias de abuso sexual praticado por sacerdotes da Igreja Católica em Arapiraca expõem o crime terrível cujas notícias brotaram e brotam mundo afora. Importante, grave, dramático, e mais qualquer outra forma de exclamação, é o crime em si. Sua existência silenciosa estima-se de há muito. E o que fazer? A igreja em Alagoas, e o Vaticano logo depois, manifestaram-se de modo adequado, irretocável, ao tratar do que de pronto foi visto como escândalo. Expressaram um sentimento duplo ? de perplexidade e repúdio aos atos atribuídos aos citados dois monsenhores e um padre em reportagem de TV. É um alento que assim seja; e que outras frentes venham a atuar com igual rigor e clareza de pensamento e propósitos. Vale dizer ainda que, com outro sentimento ? o de Justiça ?, os representantes da Igreja lembraram o direito à defesa e a necessidade da formalização das denúncias com provas oficiais. E é aí que entram o trabalho da polícia e, com outros meios e métodos, a atuação da CPI da Pedofilia, criada em 2008 no Senado Federal. Na semana que passou, os integrantes aprovaram a realização de diligências em Arapiraca. Em 15 dias talvez a Comissão faça audiência e tome depoimentos em Alagoas. É uma realidade a causar tristeza a todos os cristãos e a todas as pessoas de qualquer crença ou religião. Para que isso seja combatido e eliminado, as instituições não podem agir com ambiguidades. Indignado fica o cidadão brasileiro toda vez que confrontado com casos de impunidade. Os fatos conhecidos aí estão e têm de ser esclarecidos inteiramente.