Opinião
O mundo pertence aos otimistas
Dwight Eisenhover afirmava que se o mundo pertencia aos otimistas, os pessimistas só poderiam ser meros espectadores. Certo escritor russo conta que, um dia, Jesus caminhava com seus discípulos pela estrada da Palestina. De repente, muito mais que de repente, um hálito terrível foi penetrando as delicadas narinas de todos os componentes do grupo, ocasionando repentina dispersão. Provinha o mau cheiro de uma carniça de cachorro em decomposição, ao lado do caminho. As reações dos transeuntes foram as mais diversas: um deles, ao dar com o cão morto esboçou aquele ar de desprezo e tapou o nariz; outro deu um tremendo escarro, demonstrando nojo; um terceiro disparou em rápida carreira para fugir do ar contaminado... Entretanto, todos esperavam, pela atitude de Jesus diante do cadáver putrefato do cachorro. O Mestre, de logo, aproximou-se, serenamente, fixou nele seu olhar e disse: ?Que dentes lindos?. Na verdade, quem descobre coisas boas numa carniça de animal, com maior razão consegue enxergar o que há de bom no ser humano. Deus é assim: vai além da superfície da sujeira, repugnância natural e se encanta com o essencial. Se assim é, somos desafiados, cada instante, a ultrapassar o aspecto visível, corriqueiro das coisas e, por vezes, enfadonho das pessoas com quem convivemos, já que o dia-a-dia nos desperta dos sonhos românticos, das fantasias mirabolantes e nos arremessa para a realidade crua. E é no interior desta realidade que vamos acolher o novo, o diferente, os dons de cada pessoa. Desejo, antes de tudo, que a geração que se avizinha me ajude a viver e conviver de modo saudável em ambiente onde cada qual se interesse pelo bem do outro. Onde as pessoas se compreendam, se reconciliem, se abracem e, de novo, se disponham a caminhar, sem peso na consciência, nem marras no coração. Quero poder saborear a companhia de pessoas otimistas que têm, nos lábios, palavras de esperança e, nos olhos, o sincero desejo de bem conviver. Não exijo de mim, nem dos outros a perfeição, mas, sentir-me-ei feliz ao ver que, no relacionamento, entre as pessoas, predominam a harmonia e o respeito. Pessoas alegres, otimistas e diligentes transformam o lugar em que trabalham em fonte de prosperidade. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.