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Nos deixa saudades, Mestre Verdelinho

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O folclore alagoano se despede com muito pesar do nosso grande artista popular Mario Francisco de Assis, mais conhecido como ?Mestre Verdelinho?, que desde seus 8 anos de idade cantava coco de embolada. Trabalhou mais de 30 anos com o saudoso Prof. Pedro Teixeira, outro grande folclorista, que há muito nos deixou. Ele, em 2006, sofreu um AVC e no ano passado descobriu que tinha um câncer na bexiga. Foi operado no ano passado mesmo. Alguns da classe cultural de Alagoas se disponibilizaram a fazer campanhas em prol deste grande guerreiro, que durante toda a sua vida se empenhou a divulgar e promover o folguedo não apenas em nosso Estado, mas no Brasil. O desprezo que esse ícone da nossa cultura popular sofreu é o mesmo que muitos sofrem. O que é lamentável, num País onde existe benefício e ajuda para tudo e todos, com muitos programas do governo federal. É bolsa de todo tipo, família, gás, etc e tal. Mas não para os artistas e poetas populares. Podem existir auxílio e bolsa para os artistas de renome que tem uma grande reputação, que mesmo assim dispõe de uma ?gorda? aposentadoria. Vale ressaltar, que em novembro do ano passado, o Senado brasileiro aprovou a regulamentação da profissão de repentista como profissão artística. Essa regulamentação vai favorecer os cantadores e violeiros improvisados, os emboladores e cantadores de coco, os poetas repentistas e os cantadores declamadores de causos da cultura popular, bem como os escritores da literatura de cordel. Mas não se sabe ao certo quais os benefícios que a classe artística popular vai ganhar, mas nós, artistas populares, ficamos felizes, quem sabe a partir desta regulamentação venha consigo alguns benefícios, pois a labuta é grande para divulgar o nosso trabalho e comercializá-lo. Aí eu vos pergunto, você acha que é fácil sobreviver da arte, num Estado que está nem aí para a cultura, a começar pelo poder público? É difícil, posso falar por mim, que comercializo meus cordéis nas noites em Alagoas, tenho mais receptividade fora do Estado do que dentro dele. Mas, enquanto isso, nós que sobrevivemos da cultura vamos sentindo os fortes impactos de uma sociedade preocupada apenas com os seus bens de consumo. Com ?alguns? governantes que fazem vista grossa e não nos incentiva, restando apenas às pessoas de bons corações que nos ajuda a não desistir e a enfrentar as barricadas que ao longo do caminho nos aparece. Nos deixa saudades esse grande folclorista. Ele que leva consigo um pedaço da nossa cultura, pois, com o meu surto literário, vejo como foi a sua chegada no portão do céu, sendo recepcionado por São Pedro, e a alegria do reencontro com o saudoso Prof. Pedro Teixeira. Agora sim o céu vai ter um grupo de folguedo de respeito. (*) É estudante de Jornalismo e poeta popular de Alagoas.

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