Opinião
Despedida de Amsterd�
Continuamos, por mais alguns momentos, a apreciar o famoso Zuiderzee que, através de fertilizantes, vai sendo transformado em ricas pastagens para o gado ou campos de cereais, os polders. O trafego é imenso, e pelas ciclovias que beiram as calçadas, uma quantidade respeitável de pessoas, de todas as idades, dirige suas bicicletas. Esse é o transporte mais popular nesse país. Voltando a nossa visita da cidade, passamos agora por antigas ruas comerciais que ainda conservam aquele requinte no arranjo das vitrines, o qual conhecemos anteriormente. É uma noite de sábado e as ruas estão cheias de gente que procura distração nos cinemas, teatros, boates, ou simplesmente olhando vitrines como nós. A temperatura baixou muito e uma espessa neblina pesa sobre a cidade. Voledam e Ilha de Market. Hoje vamos a Voledam, pequeno burgo protegido do mar por grandes diques, que conserva intacta a graça dos antigos vilarejos holandeses. Alguns quartos de hora de ônibus e chegamos ao tradicional vilarejo. Milhares de turistas superlotam as estreitas ruas e lojas que vendem objetos típicos. A porcelana azul e branca de Delft enche as prateleiras, entre cachimbos, colares e bonecas vestindo o traje nacional. As casinhas características do lugar são feitas de madeira e pintadas de um verde berrante, em contraste com as portas e janelas vermelhas. Somente as vendedoras das lojas de souvenir usam, hoje, os trajes típicos o que é uma pena. Tomamos agora uma lancha e vamos à Ilha de Marken para vermos os holandeses nas suas vestimentas regionais. Navegamos sob um céu de chumbo, num mar tristonho e encapelado. Estamos no Zuiderzee, o grande golfo. Um homem toca, numa sanfona, velhas canções flamengas. O barco está cheio de turistas. Bem poucos se atrevem a enfrentar o frio do convés. Contentam-se em olhar a paisagem, pobre, aliás, através dos vidros da cabine. Chegamos à famosa ilha, mas nos decepcionamos. Ligada, hoje, ao continente por um dique em cima do qual passa uma estrada de rodagem que lhe trouxe a civilização, perdeu com isto seu significado folclórico e toda a sua graça. O que aqui existe atualmente de típico é conservado apenas, para explorar o turismo, sem nenhuma autenticidade. As casas são ainda as antigas, feitas de madeira e pintadas, como as de Voledam. Voltamos a Amsterdã de ônibus. No caminho visitamos uma habitação rural. No andar de cima vivem os moradores e no térreo ficam os estábulos, usados também como fábricas de queijo. Não poderemos sair de Amsterdã sem conhecer suas famosas lapidações de diamantes. Visitamos, com interesse, a mais famosa, aonde vimos as várias fases da transformação de pedras brutas nas belíssimas gemas que tanto nos fascinam... (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.