Opinião
O sof� da guarda
No começo deste ano, dois jovens militantes do Partido Comunista Revolucionário (PCR) foram presos em flagrante na madrugada pichando um viaduto na parte alta de Maceió, com frases contra o imperialismo americano e exaltação ao partido. Ainda no mesmo dia foram liberados mediante pagamento de fiança. Há quem diga que ser comunista aos 20 anos é indicativo de inteligência, caso dos jovens presos - 21 e 23 anos de idade, mas discutível aos 50 anos. A repercussão das prisões pautou operadores do direito e da segurança pública, entre eles o onipresente Pedro Montenegro ? secretário dos Direitos Humanos, Segurança Pública e Cidadania de Maceió que se pronunciou contrário ao que considerou exagero da ação policial que reprimiu a pichação de um patrimônio público, fato criminoso previsto por lei. A TV Gazeta subiu a pauta e mostrou imagens de outros patrimônios públicos danificados por pichações e outros atos de vandalismos, dando destaque para o Corredor Vera Arruda, que liga a Praia de Jatiúca ao Stella Maris. Lá, as homenagens aos grandes vultos da cultura alagoana foram danificadas. A matéria também mostrou a estrutura destinada ao abrigo e operações da guarda municipal ? uma casinha simples, bonita e de bom gosto, harmonicamente instalada nas proximidades de uma árvore frondosa, parcialmente danificada por incêndio na sua cobertura de sapé e todos os vidros das janelas quebrados. Os moradores vizinhos revoltados, mas criativos, em protesto resolveram transformar a casa da segurança num quadro de registros de assaltos que vitimaram os usuários do corredor, concorrida área de lazer. A casa logo ficou decorada com vários quadrinhos com uma diagonal indicando cinco assaltos, pichados em tinta vermelha. Como a casa não era usada pela guarda, os usuários de drogas, traficantes, assaltantes e outros delinquentes transformaram o local na central de operações do crime. Dias depois, não sei quando, nem vi, a casa da guarda foi demolida, restando ali apenas o piso do que seria a estrutura de segurança do Corredor, como se fosse o registro de uma rendição ao crime, contrariando a teoria da janela quebrada aplicada pela polícia de Nova York, base para a aplicação da tolerância zero, ou seja, o vidro quebrado de uma janela deveria ser imediatamente reposto sob pena de no dia seguinte o dano ser extensivo a toda sua estrutura. A guarda agiu como o marido que flagra a esposa infiel traindo-o no sofá de casa, revoltado retira o sofá e destrói, o pé-de-pano sai e tudo volta à normalidade. Confesso que não li nem ouvi nada do onipresente Pedro Montenegro sobre a demolição da casa da guarda, deve estar preparando alguma estrutura mais moderna e eficaz de segurança para o Corredor. (*) É delegado de Polícia Civil ([email protected]).