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Opinião

Reflex�es em torno do caso Isabella

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Dois anos passados do misterioso e brutal assassinato da menina Isabella Nardoni, nesta semana deu-se início o julgamento dos principais acusados, pai e madrasta. Entre testemunhas e provas, acusação e declarações de inocência, nota-se a interessante atitude de estranhos e o sensacionalismo da mídia pelo doentio gosto popular por tragédias. A revista Época desta semana, número 618, reserva várias páginas sobre o caso, além de um assunto bem real da vida, a superação do luto. Mostra também que a sepultura de Isabella se tornou local de peregrinação diária de pessoas curiosas e sensibilizadas. Porque tragédias, acidentes e mortes atraem tantos curiosos? Basta uma batida, um acidente e o transito para, a maioria para ver e fotografar a desgraça alheia, outros para tirar conclusões, julgar ou fazer justiça com as próprias mãos. No caso Isabella, o acontecimento é a ponta de um iceberg, da tragédia que assola nossa sociedade e indiretamente todas as famílias. Em meio a traições, mentiras, ciúmes e atitudes violentas ? que envolvem o início do relacionamento do casal de acusados e a mãe da menina, configura-se uma doença degenerativa em relacionamentos, que tem a corda arrebentada sempre no lado mais fraco. Mas o circo está armado para outro espetáculo! Parece que nem só a pequena Isabella foi jogada do sexto andar, mas o amor, o respeito, o bom senso, a ética, a verdade. Mesmo que não nos damos contas, inevitavelmente também estamos no sexto andar, ora acusados, ora defenestrados. Nossos pecados nos acusam e separam de Deus e mais cedo ou mais tarde estamos diante do júri. Quem sabe esteja aí a justificativa pelo gosto por tragédias, todos nós carregamos um assassino dentro de si: ?todos pecaram? ? Romanos 3.23. Paulo foi corajoso ao confessar: Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal que não quero é que eu faço (Romanos 7.19). O drama dele teria um fim trágico se não fosse a última cena: como sou infeliz! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte? Que Deus seja louvado, pois fará isso por meio do nosso Senhor Jesus Cristo! (Romanos 7.24,25). Neste tempo de quaresma somos lembrados que além de advogado a nosso favor, Jesus foi nosso substituto no pagamento da pena que, de maneira justa, respondemos diante do Juiz, ?pois Cristo nos resgatou da maldição da cruz, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar? (Gálatas 3.13). Aqui está a solução para responsáveis por todo tipo de crimes e também enlutados. Todos os caminhos precisam convergir para Cristo, o seu também! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana de Maceió.

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