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Opinião

Uma comemora��o valiosa

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Literatura e Medicina sempre conviveram no País. É efetiva a participação de médicos escritores na prosa e na poesia. O difícil dia a dia da prática médica, em que profissionais convivem com a vida e a morte, sofrimentos e tragédias humanas, parece funcionar como desafio, forma de escape para muitos, conduzindo a um mundo novo do imaginário, utopia, irrealidade e ficção. Uma vertente é a tendência à literatura não-científica. Em 17 de março do corrente mês, a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Seção Regional Alagoas, completou 33 anos de atividade cultural literária. A comemoração dessa data tem o sabor de vitória para todos nós. É a história de uma geração de médicos que gostam de literatura e que utilizam a palavra escrita como extravasamento de suas emoções. É melhor a história contada por outrem, que a simples versão dos participantes. A história da Sobrames/Alagoas ? bem mais do que a referida nos arquivos e atas ? está registrada no livro Fragmentos de uma história, Nagraf-Gráfica, Recife, 2000, de autoria do médico e escritor pernambucano Luiz Barreto. Nas palavras de Barreto, ?a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Seção Regional de Alagoas, foi fundada em 17 de março de 1977, sendo eleitos, presidente o prof. Nabuco Lopes; vice-presidente, Théo Brandão; secretário, Jose Medeiros. Seguiram-se gestões presididas por José Medeiros, Milton Hênio Netto de Gouveia (foi presidente da Sobrames Alagoas e da Sobrames Nacional), Rosiane Rodrigues, Nehemias Rodrigues Alencar e José Costa Lima. Durante todos esses anos, a entidade mostrou sua potencialidade desenvolvendo importante papel na cultura e literatura alagoana?. A Sobrames/AL reúne, também, um grupo de escritores colaboradores e honorários irmanados em torno do mesmo ideal de escrever e produzir trabalhos literários. Ouvi, de uma companheira sobramista, a afirmação de que fez, conscientemente, a escolha pela profissão médica, com muito orgulho, mas o destino a escolheu para a poesia, indiscutivelmente, ligada à sua vida, lenitivo para as agruras de sua convivência diária com a dor e o sofrimento humano. O emérito professor Carlos da Silva Lacaz dava um conselho aos profissionais médicos: ?É preciso que os médicos, além de profissionais, dediquem-se, também, à temática do pensamento do homem, mantendo-se atentos às vibrações de sua época. Não existe medicina sem cultura e sem erudição. Somente estas dão ao médico a condição indispensável para elevar sua profissão?. Um valioso conselho que não pode ser esquecido nas escolas de formação médica. A história de nossa entidade foi construída a muitas mãos, mentes e corações. É nossa trincheira intelectual e cultural. (*) É presidente da Sobrames/Alagoas.

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