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Opinião

Rio Canhoto, pelo bem comum!

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Fiquei tocado com a reportagem de Lelo Macena sobre a poluição na bacia do Mundaú e com o artigo do sr. José Sebastião Bastos. Estas matérias evidenciam a difícil prática do diálogo entre os diferentes. Neste caso, entre os que agem pelo bem comum, como os rios, e aqueles que se preferem poderosos e subestimadores: os seres humanos. A poluição no Mundaú é demonstração de falta de diálogo entre o ?homem? e o rio. Suicídio do primeiro e tortura do segundo. ?Rio Canhoto também pede socorro?, de Lelo Macena, chamou-me a atenção para o silêncio dos gestores públicos, das organizações civis, de representantes da comunidade nos Conselhos Municipais e da Usina Serra Grande ? USGA, em São José da Laje. Teria sido um alento para tanta tristeza se eles tivessem se pronunciado sobre as providências que estão tomando ou não contra a poluição no Rio Canhoto. O que soou contundente foi a lira épica do poeta de cordel Valdemar Matias, evocando a história da catástrofe que destruiu a cidade à 14 de março de 1969, as vozes destemidas e inocentes das crianças Maria José e Marcelo, expondo suas visões sobre o rio, e as belas imagens do Canhoto. ?Ainda a poluição?, de José Sebastião Bastos, lembrou-me os primeiros rumores que escutei sobre ?defesa do meio ambiente alagoano?, nos idos da década de 1970, produzidos pelo biólogo, professor e poeta José Geraldo Wanderley Marques. Rumores que conciliavam ciência e poesia na tradição literária alagoana e que me sensibilizaram para escrever Poemas Neo-Indianistas. Estes evocavam o ambiente natural das nossas terras e águas. Zé Geraldo de lá das terras de Sant?Ana e das águas do Ipanema e eu das terras e lajes de São José e das águas do Canhoto. Ambos apaixonados pelos rios como Maria José e Marcelo, e pela terra como Valdemar Matias. O Rio Canhoto possui uma saga tocante. É em Alagoas que ele toma corpo e vai até a sua ?barra?, onde pega rumo no Mundaú. Mundaú é o seu mar, o ?caminho de pedras? que fogosamente lhe transporta através das Alagoas até se transformar em laguna Mundaú, receoso de cair no abismo de sal das ondas oceânicas. Diferentes: o Canhoto mundaunizado e o oceano! Mas entre estes ocorre diálogo, o que gera grandezas, paisagens belas, sabores: sururus e tainhas. Vida! A grandeza, o saber e a vida lajenses dependem do rio Canhoto. O rio ensina quem ele é. E quem quer saber, lhe apreende a vitalidade e a beleza ofertadas. É preciso compreender que, neste diálogo, quem subestima o outro pratica suicídio. (*) É poeta lajense, ator da ATA e professor da Ufal.

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