Opinião
Fa�a o que eu digo, mas n�o fa�a o que fa�o, essa � a lei
Nos meados do ano passado, o Supremo Tribunal Federal, o famoso STF, achou favorável a não obrigatoriedade do diploma dos jornalistas, para exercer a profissão. Comparando o profissional da Comunicação que passa quatro anos se qualificando para ser um bom comunicólogo, com um cozinheiro, sem desqualificar o profissional, que aprende com o passar dos tempos sem a necessidade de um conhecimento específico. Tudo bem, mesmo sendo contrário a esse procedimento dos excelentíssimos sete ministros do STF que votaram favoráveis à não obrigatoriedade do diploma, eu esperava o consenso ou até mesmo que eles cumprissem a não obrigatoriedade, que eles contratassem profissionais de outras áreas para exercer a profissão de assessores de impressa ou comunicação no STF. Em uma de suas últimas visitas à terra dos marechais, o ministro Gilmar Mendes esteve acompanhado da assessora de imprensa do STF, Mariana Braga, que em conversa com uma estagiária de jornalismo relatou que só conseguiu o seu emprego por ser portadora de diploma, graduada em Jornalismo, e essa informação vazou e caiu em um webjornal. É engraçado! Para a sociedade civil, não tem importância nenhuma a graduação num curso superior para ser jornalista. Profissão essa que não apenas eu, mas muitos consideram como a quarta pilastra da democracia, não apenas em nosso País, mas no mundo. Onde em quatro anos além muros das universidades-faculdades saem muitos que deixam a desejar, imaginem um indivíduo que não tem noções de pirâmide invertida, textos jornalísticos, fotografia, etc e tal assessorando o Supremo Tribunal, claro que não, os ministros, como nos dizem o linguajar popular, não são nada ?bestas?. Se para ser um formador de opinião, que é o papel do jornalista, não precisa ser diplomado na sociedade, mas para exercer a profissão no STF tem que ter diploma, para ser um advogado, médico, engenheiro, professor (sem desmerecer os profissionais) também não precisaria passar por uma universidade-faculdade, adquiriria conhecimento e se capacitaria com o passar dos tempos e ganhariam assim as práticas e os macetes que cada profissão dispõe. ?Em terra de cego, quem tem um olho é rei?, já nos diz um velho ditado popular, que o STF utiliza em seu favor, pois eles querem bons profissionais, ?qualificados?, que elevem a imagem da instituição, e só um profissional diplomado pode fazer isso, caso contrário, sei lá. É lamentável, mas temos esperanças que o nosso próprio sistema seja cumpridor das normas que eles mesmos empurram de ?goela? abaixo em nossa sociedade, pois já não aguentamos. Vamos deixar de tanta hipocrisia. (*) É estudante de jornalismo e poeta popular de Alagoas.