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B�lgica-Bruxelas

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Estamos sentados num ônibus prata e azul e vamos para Bruxelas. Um sol apagado e tépido banha a manhã. Faz meia hora que saímos de Amsterdã e nos embrenhamos pelas estradas que atravessam os imensos polders conquistados ao mar. Essa planura verdejante, cortada de canais, se perde lá na linha do horizonte. De vez em quando distinguimos a silhueta de um velho moinho de vento. Hoje obsoletos, eles perduram na paisagem holandesa como simples ornamentos simbólicos. Há muito que os gemidos, de suas pás em movimento, foram abafados pelo ronco das bombas a motor! Passamos por Roterdam, cidade moderna quase toda reconstruída depois da guerra. Atravessamos a grande ponte sobre o Rio Reno. Ao longe distinguimos as chaminés e os mastros dos navios que transitam pelo ativo porto dessa cidade. Cruzamos as velhas planícies do sul da Holanda, passamos Dordrecht, Brêda e agora estamos na Bélgica. Chamam-nos a atenção as graciosas casas cobertas de palha muito fina. Todas elas têm uma água furtada com uma ou duas janelinhas, sobre as quais, o teto se eleva em curva. Atravessamos plantações de cereais, pastagens, lindas florestas sombrias. Divisamos castelos solitários, velhas muralhas arruinadas e agora nos avizinhamos da capital belga. Começam a aparecer os primeiros bairros residenciais com seus solares luxuosos no meio de parques. Muitas dessas moradas bonitas possuem a mesma cobertura de palha que vemos nas casas campestres. Finalmente estamos no centro de Bruxelas. Entramos na Rua de Midi e o ônibus estaca na porta do Hotel Bedford. Acomodamos nossa bagagem no quarto e descemos para o almoço. Logo em seguida vamos para a rua. Só demoraremos meio dia em Bruxelas. Não podemos perder tempo. Estamos na Grande Praça, o Centro da cidade. O lugar arquitetonicamente mais bonito desta capital. É circundado por seculares edificações góticas e renascentistas. Os prédios feitos durante a renascença possuem frontões vazados por janelas de tipos diversos, tendo pináculos estriados e sinuosas volutas. Em todas as fachadas vemos relevos dourados que contrastam com a pedra vermelha em que são edificados. Estas moradas medievais foram construídas em 1695. Do outro lado está o Palácio Comunal com suas arcadas à rés do chão. Do centro, parte na vertical, uma torre alta e elegante. Suas fachadas apresentam exuberância de ornatos, torreões, nichos e estátuas, inspirados no estilo gótico francês. Na Grande Praça fica, também, o Palácio Real, numa arquitetura que marca a transição do gótico para o renascimento. Aqui por perto avistamos lojas que vendem as preciosas rendas de Bruxelas. Mantilhas de noiva, toalhas, blusas, camisolas, estão em exposição nas várias vitrines. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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