Opinião
Servidores e greves
Diferentes categorias de servidores públicos ensaiam greves em Alagoas sob as alegações de sempre: reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A situação se repete em praticamente todos os Estados do País. No atual contexto, até policiais militares ameaçam sua greve ? o aquartelamento. Como divulgado ontem, está marcada para o próximo dia 7 a paralisação na PM. A mobilização do servidor público é mais do que legítima, claro, desde que motivada por objetivos claros e pertinentes. Não é isso o que pensam, geralmente, os governos alvos dos protestos. Aqui em Alagoas, como em outros Estados, a movimentação intensa de sindicatos demonstra, no entanto, algo fora do normal. Para os gestores de plantão, a reação imediata é quase sempre a acusação de ?greves políticas?. Tal postura não atende a cores partidárias ou a tendências ideológicas. Governadores e prefeitos de diferentes partidos, no País todo, enxergam as razões ?eleitoreiras? nos protestos, passeatas e assembleias que decidem por greve. O caso é que sindicatos, centrais e militantes devem agir em nome de suas categorias, mas têm obrigação de seguir, mais do que o bom senso, a noção de responsabilidade e a conduta ética no trato de questões cruciais para as populações de cidades e Estados. Ou seja, greve com único objetivo de tumultuar a vida de gestores em ano de eleição não é o que se espera de lideranças sindicais que têm a responsabilidade de comandar e influenciar categorias de peso no serviço público. Por outro lado, o fato de estarmos em ano eleitoral não torna as greves, automaticamente, ?políticas? ou ?eleitoreiras?. Para que isso fique claro, é necessário que aqueles que reivindicam sejam objetivos quanto às demandas junto ao gestor. Dos dois lados, a postura ética e transparente é o que se exige.