Opinião
O Sud�rio de Jesus
Venera-se em Turim, a cidade-berço da Obra Salesiana, preciosa relíquia, que as pesquisas científicas nos asseguram ser o linho, em que o corpo de Jesus foi envolvido, fato relatado pelos quatro evangelistas. Este linho recebeu na tradição cristã o nome de Santo Sudário. O Sudário é um lençol de linho, tecido em forma de espinha de peixe com cerca de 4m41 de comprimento por 1m13 de largura, exibindo a imagem em negativo de um homem, morto em seguida ao suplício da flagelação romana e a crucifixão. Na antiga Edessa, hoje Urfa da Turquia, em 544, fala-se de uma extraordinária imagem em linho, ?não feita por mão de homem?. A imagem de Edessa foi transferida em 944 para Constantinopla, onde foi estendida, dobrada que era, permitindo assim a visão completa do corpo do Crucificado, de frente e de costas. Por volta do ano 1204, durante a ocupação de Constantinopla pelos cruzados, há testemunhos escritos de cruzados que viram o ?Santo Sudário do Senhor?. Apesar dessas ligeiras informações, diz o prof. Maurício Baradello, diretor do Comitê do Santo Sudário, os primeiros documentos que nos fornecem informações seguras sobre o Santo Sudário de Turim remontam à metade do século 14, com Geoffroy de Charny, homem de fé, que o transferiu em 1353 para a igreja, por ele edificada em seu feudo de Lirey na França. Margarida de Charny em 1453, doou-a aos duques de Savoia, origem da dinastia italiana. O beato Amadeu 9º ampliou e embelezou a capela do castelo de Chambery para acolher o Santo Sudário. Foi em Chambery que, a 4 de dezembro de 1532, aconteceu o pavoroso incêndio, que danificou alguns pontos extremos do linho. Em 14 de setembro de 1578, Emanuel Filipe transferiu definitivamente o Santo Sudário para Turim, para ser venerado por S. Carlos Borromeu, cardeal de Milão. Em 1898, o sudário foi fotografado pela primeira vez, nos inícios da arte fotográfica, pelo advogado e fotógrafo Secondo Pia. A negativa dessa fotografia revelou com estupefação geral, em positivo, a imagem de um homem flagelado e crucificado e cujo corpo não se corrompeu no sepulcro. Nenhuma técnica daqueles tempos poderia produzir um negativo, como é o sudário. O Santo Sudário era propriedade da Casa Real de Savoia, dos reis do Piemonte e da Itália unificada. Assim com a morte do príncipe Umberto de Savoia, último ocupante do trono da Itália, em 18 de março de 1983 o Santo Sudário foi doado à Santa Sé, por disposição testamentária do príncipe morto. De 10 de abril a 23 de maio deste ano, haverá na Catedral de Turim solene Exposição do Santo Sudário, com o tema ?A paixão de Cristo, a paixão do homem? para as comemorações, que acontecerão durante todo o evento. (*) É arcebispo emérito de Maceió.