Opinião
P�scoa: vida nova
O tempo pascal começa na Vigília, compreende os cinquenta dias pascais e conclui depois de sete semanas em Pentecostes. A Páscoa é a celebração máxima e central de todo o ano litúrgico, a verdade nuclear do cristianismo, o fundamento e raiz de nossa fé e esperança. São Paulo afirma: Se Cristo não ressuscitou, então nossa pregação é vazia, vazia também é a nossa fé... Se a esperança que depositamos em Cristo é somente para esta vida, somos os mais lastimáveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos como o pioneiro dos que estavam no sono da morte (1Cor 15, 14.19-20). A ressurreição de Cristo é a pedra angular de todo o edifício eclesial, a coluna vertebral de toda a revelação e do projeto salvador de Deus. Trata-se de um acontecimento real no sentido mais profundo, mas o acontecido transcende e ultrapassa os limites da história. Os relatos evangélicos da Ressurreição referem três fatos que estão em relação mútua e sucessiva: o sepulcro vazio, com a mensagem celeste às mulheres, revelando-lhes a ressurreição do Senhor; as aparições de Cristo ressuscitado; o dom do Espírito, que ao lado da missão evangélica, recebe os Apóstolos do próprio Jesus. Assim, o centro da fé cristã não consiste na celebração da memória de um herói morto, mas da presença de um Vivo e Vivente no qual se decifrou para todos nós o sentido último da vida. A ressurreição trouxe um germe e começo de uma vida nova para Cristo e para nós. Em Jesus, a vida que clama pela vida, triunfou e manteve sua força contra os bafejos da morte. É o sentido da ressurreição. A nossa alegria é tanto maior quanto sabemos que Jesus é o primeiro dos mortos a possuir essa plenitude de vida, e que nós seguiremos a Ele e somos chamados a herdar essa mesma vida ressuscitada. A vida mortal do homem não é mais mortal, pois nele a vida é tão realizada, densa e perfeita que a morte não consegue penetrar e realizar sua obra de destruição. Não basta, na Páscoa, ficarmos alegres com o triunfo da vida. Ela nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, de sua mensagem e de seus exemplos. Quem tenta viver como ele viveu já começa a sentir em si as forças de ressurreição. Dentro de sua mortalidade vai se formando a imortalidade. Hoje é dia de se repetir com fé profunda, alegre comunitária: proclamamos, Senhor, a vossa Ressurreição. Cristo ressuscitado é a nossa maior esperança, para todo homem, para o mundo todo. (*) É pároco da Catedral.