Opinião
Os problemas rurais
É verdadeiramente preocupante a realidade da maioria dos viventes nas ocupações rurais do País. Conforme um dos textos que publicamos na edição de domingo último, com dados de um levantamento realizado e divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Trata-se do estudo mais recente apontando para a necessidade da reforma agrária no Brasil, ao mostrar a agricultura familiar como principal fonte de sustento da maioria das pessoas com ocupações no meio rural. Como informamos na mesma matéria, citando a instituição vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nessa área, as relações de trabalho são precárias e instáveis. 43% dos trabalhadores na área não são remunerados por suas atividades. Também é de 43% a quantidade de empregados mantidos em regime temporário. O mesmo estudo foi desenvolvido pelo Ipea a partir de indicadores relativos à população rural de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE e do Censo Demográfico 2006. De acordo com uma das suas conclusões, a questão agrária ainda é importante no País, mesmo com a diferença em relação ao tamanho da população das cidades. Salientam-se avanços expressivos no setor primário da nossa economia, a exemplo da utilização das novas tecnologias e do aumento da produtividade da nossa agricultura referente ao período de 1996 e 2006, a uma taxa de 2,13%, enquanto os Estados Unidos tiveram uma taxa de 1,89% em igual período. Todavia, não faltam alusões aos problemas crônicos. Da dependência tecnológica do Brasil às importações de insumos, à baixa capacidade de absorção dos conhecimentos tecnológicos, com apenas 3% dos proprietários agrícolas com ensino superior, quase 90% apenas com ensino fundamental e cerca de 27% analfabetos. É um desafio e tanto.