Opinião
O que j� foi n�o ser� mais
Em pleno século 21 grandes avanços e evoluções. Já era de esperar que as tradições, doutrinas e dogmas que permeavam as famílias e guiavam as condutas morais e éticas já há muito foram esquecidos. Claro que tudo isso só foi possível graças à globalização e à modernização, acompanhados dos avanços do mundo cibernético, da vulgarização do Eros e Ágape, da mídia tratando como produto a sexualidade e por aí vai. O que antes era motivo de respeito, silêncio, passa despercebido e nos leva a uma reflexão. Pode até ser saudosismo de minha parte, mas a Semana Santa era motivo de respeito e veneração, podemos até dizer que ainda o é, para alguns que ?acreditam? em tal feito, mas não como em outrora, a ocasião não passa de uma certa preparação para o dia em que os cristãos consideram sagrado, a Sexta-feira da Paixão de Jesus. As pessoas não comiam carne, apenas peixe. Não bebiam determinados tipos de bebidas alcoólicas, apenas vinhos e ?com moderação?, mas tudo isso foi num passado não tão distante e hoje os valores estão em contrapartida e uma vulgarização de toda uma tradição que nos foi passada de berço, ou melhor, pudemos acompanhar ao longo dos tempos, claro que nem todos acreditam, mas o Brasil é um Estado laico e mesmo assim cultivou toda uma cultura através da Igreja Católica. Violência, acidentes, assédios sexuais e muitas ações humanas, principalmente desses últimos casos dos próprios representantes da Igreja Católica, que é um outro assunto que pode depois ser tratado, tira de nós a credibilidade, deixa-nos sem esperança de acreditar, ?digo aqui que não são todos?, pois se eu acreditasse no diabo, diria que ele está à solta, vulgarizando o sacrifício, que segundo a tradição cristã, ?Deus se fez homem e se entregou pela humanidade, através de sua morte de cruz?. E ao longo do tempo, a Semana Santa, para muitos, é o tempo de mesas fartas, para outros continuam à mercê, passando fome. E a hipocrisia latente no ser humano, ?ah meu Deus, Cristo morreu, sofreu muito?. Aí passa sábado de aleluia se lamuriando e, no domingo, farta-se nos chocolates; aí vem com as velhas frases de ?Aleluia, Cristo ressuscitou? e para quem quer ou não ?feliz Páscoa?. ?É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã?, essa música que Legião Urbana cantava e que ainda hoje embala gerações, poderíamos ao menos tentar colocar-la em prática, nesta época de reflexão, mas mesmo assim acredito no homem, e sei que a sociedade irá mudar através de ?pequenas-grandes? pessoas, que levam a sério a mensagem do verdadeiro sentido da Semana Santa. Desejo a todos mudanças e com a certeza de que as pessoas serão solidárias umas com as outras e não apenas pensem em si mesmo, mas sim no próximo. (*) É estudante de Jornalismo e poeta popular de Alagoas.