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O sem tost�o pode virar cidad�o

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Dona Rosileide, moradora do Benedito Bentes, conseguiu empréstimo de oitenta reais. Com os recursos em mãos, pretendia adquirir roupas e sapatos usados para iniciar um pequeno negócio na comunidade em que vive. Desistiu e comprou uma porca já prenhe, que terminou parindo 18 porquinhos. Sete meses depois, desfez-se de todos os suínos, apurou cinco mil reais e passou a comprar e vender cavalos. A história acima é uma entre milhares de casos de sucesso produzidos pela ação do Banco do Cidadão, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público ? Oscip, constituída em 2003 em gestão conjunta do governo de Alagoas e da Prefeitura de Maceió, que aportaram à época um montante de quatro milhões de reais a título de infraestrutura e de composição da carteira de empréstimo da nova instituição financeira. Desde então, a carteira de empréstimos do Banco do Cidadão já efetuou mais de vinte e quatro mil operações de créditos, sempre contemplando a faixa de público que não é acolhida na rede bancária tradicional. São mais de dez mil alagoanos beneficiados com recursos, sendo que 95% deles colocaram a mão na grana pela primeira vez. Vendedor de picolé, sacoleiras, camelôs, borracheiros, negociante de doces e donos de mercearia compõem o perfil dos tomadores de empréstimos, cujo volume captado é, em média, de mil reais. Há no Brasil algo em torno de duzentas instituições fomentadoras do microcrédito. Quando se fala em pequeno negócio, o apoio a quem não tem um tostão pode significar a mudança de uma realidade de vida. Excetuando o aporte de recursos ocorrido no passado, o Estado abdicou do papel de fomentar o Banco do Cidadão, que poderia estar hoje mais presente no tecido social, induzindo os desprovidos de recursos a ter oportunidade de crescer na vida e de realizar seus sonhos, a partir de suas próprias potencialidades. Além de Maceió, o Banco tem sede em mais quatro municípios, mas estaria em todas as regiões e mais perto da comunidade, caso obtivesse apoio efetivo do poder público. Cabe ao Estado traçar as estratégias de indução do desenvolvimento. Se a grande empresa turbina o Tesouro Estadual pelo ICMS, nada supera o pequeno negócio em termos de geração imediata de postos de trabalho, de democratização de oportunidades e de combate às disparidades sociais. Assim como o exemplo de dona Rosileide, o Banco do Cidadão aponta o caminho, numa prova real de que as pessoas também modificam a autoestima e honram suas vidas pela força do trabalho. (*) É jornalista.

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